A União Europeia ainda não está satisfeita com a maneira como as maiores empresas de tecnologia estão lidando com a remoção de conteúdo ilegal online. Nesta quinta-feira (28), o bloco lançou um novo conjunto de diretrizes para Facebook, YouTube, Twitter e Microsoft, dando-lhes apenas alguns meses para se adaptarem — ou então encararem futuras regulações não especificadas.

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“Com o aumento do conteúdo ilegal online, incluindo propaganda terrorista e discursos xenófobos e racistas, incitando à violência e ao ódio, as plataformas online carregam uma responsabilidade social cada vez maior em termos de proteção dos usuários e da sociedade como um todo e de prevenção contra criminosos explorando o espaço online”, escreveu a União Europeia em um comunicado nesta quinta-feira.

O texto apontou que houve um aumento na remoção de discurso de ódio ilícito, de 28% para 59%, mas que 28% do conteúdo removido só foi retirado depois de mais de uma semana, sinalizando uma falta de urgência persistente.

Algumas das sugestões listadas pela União Europeia nas mais recentes diretrizes incluem a criação de ferramentas que facilitem a denúncia de conteúdo ilegal por parte de usuários, o desenvolvimento de uma tecnologia automatizada para mirar infratores e conteúdos recorrentes e a cooperação com as autoridades, entre uma série de outras instruções.

Algumas empresas de tecnologia já estão adotando algumas das ferramentas mencionadas acima em seu arsenal de tecnologias contra o assédio online. O Facebook, por exemplo, anunciou em junho que estava usando um sistema de inteligência artificial junto com moderadores humanos para ajudar a identificar conteúdos e usuários extremistas na plataforma. O YouTube tem uma ferramenta que identifica potenciais recrutas terroristas. Porém, embora as empresas possam ter os meios para desenvolver tecnologias ou estratégias que sejam melhores no controle de conteúdo online ilegal, isso não significa que elas estejam ansiosas para colocá-las em prática. Plataformas como o Facebook e o Twitter se provaram hesitantes em policiar rigorosamente seus usuários, sob o risco de seus piores infratores alegarem censura.

Esse conjunto de diretrizes desta quinta-feira não é a primeira tentativa da União Europeia de pedir a companhias de tecnologia que reprimam o assédio online. Em dezembro do ano passado, a Comissão anunciou que YouTube, Facebook, Microsoft e Twitter não estavam aderindo adequadamente ao código de conduta que haviam voluntariamente assinado em maio de 2016, que pedia que lidassem com discurso de ódio ilegal em suas plataformas dentro de 24 horas. Resta saber se as ameaças de novas regulamentações vão assustar as empresas o bastante para que elas impulsionem seu trabalho de remoção de conteúdo ilegal. A Comissão vai se encontrar em dezembro para avaliar os resultados das diretrizes propostas e decidir como proceder.

[VentureBeat]

Imagem do topo: Getty