Até outro dia desses nós usávamos o Google Wave para distribuir e discutir quais posts entrariam no site. Dezenas de vezes por dia checávamos e modificávamos A ONDA (como foi batizada a pauta do dia). Nós e o Google acabamos abandonando a “maneira revolucionária de ver e-mails” e migramos para o Facebook para fazer basicamente a mesma coisa. Surgiu o Google+ e nos mudamos para lá de novo, mas a brincadeira durou apenas dois dias. Veja por quê – e aproveite e sacie a curiosidade de como o Gizmodo Brasil é feito.

O Gizmodo Brasil tem uma sede em São Paulo, com escritório grande, sala de reunião e tudo, mas a verdade é que parte da equipe só se reúne “fisicamente” uma ou duas vezes por semana – o encontro envolve o pessoal do comercial, tecnologia, nosso gerente e os chapas editores do Jalopnik e Kotaku também. Mas o dia-a-dia da redação, em que trabalhamos juntos eu e nossos 4 heróis (Marina Val, Leo Martins, Fabio Bracht e Felipe Ventura) acontece na nuvem. Isso porque há gente em São Paulo, no Rio e viajando pelo mundo. É claro que isso não quer dizer que a coisa seja tão bagunçada assim.

Trabalhamos, como dizem, “remotamente”. Temos horários que cumprimos, mas, particularmente, a minha ideia como editor é que desde que você o respeite e produza, não importa tanto onde do mundo você está. É claro que há vantagens em trabalhar junto sempre (no nosso caso, trocar impressões sobre gadgets pessoalmente, por exemplo), mas as vantagens do trabalho remoto são muito grandes para serem desprezadas. Melhoramos a qualidade de vida de todos, porque mesmo que você more a 2 km do escritório em São Paulo, o tempo e o humor gastos no trânsito são irrecuperáveis. Então, ficamos em casa. A experiência “pessoal” é importante, claro e queremos ter mais disso. Hoje, nos encontramos em coletivas e fazemos “Dias de Redação” que podem rolar na casa de alguém (normalmente na minha, para jogarmos depois) ou em algum Starbucks da vida. Tendo Wi-Fi e café tudo funciona.

Se todo mundo encontra na nuvem e temos cerca de 20 posts editoriais por dia, temos de organizar o fluxo de trabalho. Há uns dois anos a coisa funcionava basicamente em um aplicativo web que desenvolvemos ligado ao RSS do Giz americano e o Twitter. Como editor, eu clicava no post a ser traduzido, escolhia de um menu drop-down quem o faria e a pessoa recebia um Twitt do nosso robô avisando da nova tarefa. Quando ele terminava, marcava um ok. Isso funcionava se simplesmente traduzíssemos o Giz americano, mas há algum tempo queremos aumentar a quantidade de conteúdo Made in Brazil, e passamos a usar o e-mail como muleta. Mas ela não era a ferramenta ideal – era algo muito unidimensional e bagunçado. A cada novo post a ser feito ou traduzido, era necessário uma nova mensagem.

Quando surgiu o Wave, vimos ali uma boa possibilidade de centralizar a pauta e aumentar a discussão. Na noite anterior ou bem de manhã (às 7h), eu ou o primeiro repórter da escala abria uma grande ONDA DO DIA e acrescentava todo mundo – então toda a equipe recebia um e-mail automático com o link. Se alguém sugeria uma pauta, eu ia lá e escervia “OK” e acrescentava alguma anotação. Ou simplesmente colava ali o link de um post do Giz americano para traduzir. Todo o material do dia poderia entrar na onda, de releases a fotos. E quando, digamos, o Felipe começava a traduzir, atualizava a onda escrevendo “FAZENDO”. E “FEITO”, quando pronto, para eu dar uma olhada. Mais ou menos assim:

O bom do Wave é que todo mundo poderia escrever a pauta, lembrando a outro algum detalhe, link para completar. É colaborativo como um blog deveria ser. “Como o Google Docs”, você pode pensar. Sim, mas o Docs não era tão instantâneo, era um pouco mais lento para carregar e tinha menos atalhos para organizar a pauta por pessoas em relação ao Wave. Ficamos no injustiçado serviço do Google por um ano quase, abrindo uma nova onda a cada dia.

O Wave era quase perfeito, mas tinha um problema importante: ele funciona muito, muito lentamente em qualquer aparelho mobile. É impressionante como o Google nunca fez um app para Android oficial do Wave. No iPhone as opções de edição eram poucas, mesma coisa para iPad. E como cada vez mais estávamos trabalhando com esses dispositivos, era importante poder acessar e modificar a pauta do dia de qualquer lugar.

Foi então que mudamos para o Facebook. Criamos um grupo lá dentro, só acessível pelos editores, onde incluíamos a pauta do dia. Em vez de ONDAS, duas atualizações diárias: uma com a pauta de fato, que eu fazia, e outra com as sugestões e comentários gerais do dia. Quando alguém acabava de fazer o que era pautado, “curtia” o comentário. Através de uma extensão no Chrome, pipocava no meu navegador um aviso toda hora que alguém acabava de fazer um post ou incluía uma sugestão. A integração do Facebook com plataformas mobile ajudava muito também – dá para acessar e alterar tudo nos apps para iOS e Android. As pautas que exigem mais detalhe são discutidas por e-mail ou GTalk para não “poluir” o tópico do dia. A coisa fica mais ou menos assim:

Quando saiu o Google+, achamos que poderíamos migrar pra lá. Como nos lembra o XKCD, ninguém gosta, goooosta do Facebook. O app para Android é matador, e mesmo a implementação dos web-apps é bem rápida, o que colocaria em pé de igualdade com o grande argumento pró-Facebook. E  a ideia de “círculos” parecia tornar o nosso grupo do Facebook algo ainda mais prático. No terceiro dia do beta aberto, nos mudamos para lá. Mesmo esquema: escrevo a pauta do dia, há outro post para sugestões do dia, e à medida que as matérias forem feitas, ganham um “+1”.

Durou dois dias a brincadeira. O Google diz que a grande vantagem do G+ é que ele faz uma separação mais eficiente dos seus “círculos” de amizade, mas ela está muito longe do ideal. Se clicasse no círculo dos meus amigos do Giz eu iria ver não apenas os posts recomendados e comentados para cada um, o tópico da pauta do dia, mas todos os posts deles. Não havia um “grupo de trabalho” fechado como o Facebook. E, para meu controle, a coisa não ajudava. A notificação dizia apenas que “a pessoa X deu +1 para seu post”, não dava para saber qual post era. Não havia, como no Facebook, a opção de criar um documento simples dentro do grupo. Pode ser que o Google+ melhore (é o que esperamos!), mas atualmente não é a nossa melhor opção, e não consigo entender como ele pode ter tanto potencial para trabalho como alguns analistas estão falando.

E é assim, meus amigos, que voltamos ao Facebook. Uma velha máxima do jornalismo (aplicada também, por exemplo, a salsichas) diz que “se as pessoas soubessem como um jornal é feito, ninguém comprava”. Bom, vocês sabem como funciona o nosso blog de tecnologia favorito. Poderíamos usar ferramentas específicas, é claro: os amigos do Giz americano usam o Campfire, há o Flow, que testamos brevemente e não gostamos. No fim, nossas gambiarras com redes sociais, que teoricamente tiram tanto tempo e nos destraem do trabalho, têm funcionado.

A ideia deste post era justamente essa: explicar nossa experiência aqui e dar ideias (e saber as suas!) para gerenciar o trabalho em equipe. Que ferramentas vocês usam?