O tiranossauro era mesmo tão rápido como nós imaginamos? Especialistas em biomecânica acreditam que ele não era tão veloz quanto você pensa – mas provavelmente o T. rex conseguiria alcançar você.

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Pesquisadores vêm debatendo a velocidade dos dinossauros – e do T. rex, especificamente – há anos. As reconstruções de dinossauros feitas no final do século XIX muitas vezes os representavam como criaturas que se moviam rapidamente.

Mas em meados do século XX, esta ideia se transformou. Terópodes grandes e bípedes como o T. rex eram muitas vezes representados completamente eretos em pé, com suas caudas se arrastando no chão de uma forma que sugeria uma locomoção lenta e pesada.

Ao longo das últimas décadas, no entanto, o modelo padrão da locomoção do T. rex foi revisado mais uma vez. Alguns estudos apostam em uma hipótese de um T. rex “que corre rápido”, alegando que o lagarto tirano teria sido capaz de atingir velocidades superiores a 70 km/h.

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Agora, investigações mais recentes sugerem que o T. rex não era nem devagar, nem super-rápido. De acordo com John R. Hutchinson (que publicou estudos sobre a biomecânica de T. rex em revistas científicas como a Nature), o tiranossauro provavelmente chegava a um “intervalo moderado” de 5 a 11 m/s, ou entre 18 e 40 km/h.

Você certamente seria capaz de ultrapassar um T. rex na extremidade inferior desse espectro… mas e se ele corresse na velocidade máxima? A menos que você seja um atleta de elite, provavelmente ele iria pegar você. (Usain Bolt, recordista mundial de velocidade, chega a cerca de 45 km/h.)

O tiranossauro era o maior carnívoro dos ambientes onde vivia, mas ainda há um debate sobre se ele era um predador ou um detritívoro – ou seja, se ele caçava a própria comida ou se alimentava de animais já mortos. De um jeito ou de outro, eu fugiria dele.

E quanto a outros terópodes?

Um dos estudos mais importantes para analisar a velocidade do T. rex e de outros terópodes foi publicado em 2007 por William Sellers e Manning Phillip, paleontólogos da Universidade de Manchester. O estudo era especial por se basear em um programa chamado GaitSym, que usava modelos computacionais para descobrir a velocidade máxima de cinco dinossauros diferentes: Compsognathus, Velociraptor, Dilophosaurus, Allosaurus e T. rex. (Todos eles, vale a pena mencionar, eram bípedes e carnívoros).

A equipe usou dados de modelos conhecidos de fósseis para reconstruir a anatomia dos dinossauros e suas características musculoesqueléticas. Estes modelos foram então levados ao limite no programa GaitSym, que rodou o modelo de cada dinossauro usando diferentes combinações de ativação muscular. Os padrões que causavam falhas nos modelos foram abandonados, enquanto simulações onde o dinossauro corria por uma distância de pelo menos 15 metros foram investigadas mais a fundo.

Finalmente, Sellers e Manning simularam as velocidades de corrida dos seres humanos, emas e avestruzes – espécies com altas velocidades documentadas – para ajudar a validar a exatidão do GaitSym. Eis os números que eles obtiveram, como relatado no periódico Proceedings of the Royal Society B:

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Esta é a tabela que usamos para criar o infográfico acima – clique aqui para vê-lo em tamanho completo. Repare que a velocidade estimada para o T. rex (8 m/s) está bem no meio do “intervalo moderado” de 5-11 m/s citado por Hutchinson. Dromaius, Struthio e Homo correspondem à ema, avestruz e ser humano, respectivamente. Estes números batem com os dados reais de velocidade máxima para todas as três espécies, e ajudam a demonstrar a precisão do modelo GaitSym.

O resultado: quanto menor o terópode bípede, mais rápido ele corre (olha só o Compsognathus!). A boa notícia é que, segundo os modelos de Sellers e Manning, o monstruoso T. rex seria realmente o mais fácil de se escapar, entre os dinossauros simulados. A má notícia: considerando que o T. rex médio chegaria a uma velocidade cerca de 0,44 km/h mais rápida que o ser humano médio, ainda haveria uma boa chance de você ser pego.

Acho que o único consolo escondido nessas descobertas é que, quando Sellers e Manning realizaram essas simulações, em 2007, eles ainda estavam utilizando as previsões do modelo que colocam o peso do T. rex em 6.000 kg. No entanto, um estudo publicado em 2011 por Hutchinson coloca este valor em mais de 8.000 kg. Se formos pela regra de maior = mais lento, há uma chance de um T. rex maior ficar um pouco atrás de um humano médio. A menos que o T. rex realmente corresse em velocidades próximas a 11 m/s – aí você estaria ferrado de um jeito ou de outro.

Imagem de cima por Stephanie Fox, do io9; tabela de velocidades de dinossauro por Sellers e Manning.