A Voyager 1, sonda que se tornou o primeiro objeto feito pelo homem a deixar o sistema solar em 2012, está longe de casa por muito, muito tempo – aproximadamente 40 anos. E ela ainda está enviando alguns punhados de dados e, em seu tempo livre, envia alguns textos insensatos para civilizações alienígenas distantes que podem ou não existir. (Ela é muito solitária). Agora ela está a quase de 21 bilhões de quilômetros de distância da Terra.

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Na sexta-feira (1º), a NASA anunciou que conseguiu desemperrar com sucesso os propulsores auxiliares da sonda pela primeira vez em 37 anos. Em uma publicação em seu blog, a agência explica que as principais propulsores de controle de atitude da Voyager 1 haviam se degradado, tornando difícil a reorientação dela para que sua antena apontasse de volta em direção a Terra. Mas a nave tem uma série de quatro propulsores auxiliares para manobras de correção que não são usadas desde 1980, e por meio de uma série de testes a agência descobriu que os itens continuavam funcionando e serviam tão bem quanto os propulsores principais.

“O time de voo da Voyager mergulhou em dados de décadas e examinou o software que estava codificado em um Assembler ultrapassado, para certificar que poderíamos testar com segurança os propulsores”, escreveu Chris Jones, chefe de engenharia do Jet Propulsion Laboratory.

De acordo com a NASA, os propulsores TCM estavam localizados na parte traseira da nave e foram utilizados antes em um modo de fogo contínuo durante os sobrevoos planetários (o último aconteceu em Saturno, em 1980). O controle em solo conseguiu reconfigurá-los para serem ativados em um modo de pulso com duração de milissegundos; o Verge nota que a possibilidade de utilizar os propulsores TCM como um substituto dos itens principais “deve estender a vida [da Voyager 1] por mais alguns anos”.

“O time da Voyager ficava mais animada a cada conquista nos testes dos propulsores”, adicionou Todd Barber, engenheiro de propulsão da JPL na publicação. “O clima foi de alívio, alegria e incredulidade depois de testemunhar esses propulsores funcionarem como se o tempo não tivesse passado”.

A irmã da sonda Voyager 1, a Voyager 2, está a mais de 17 milhões de quilômetros da Terra e provavelmente passará por um procedimento similar, mas segundo a NASA, os seus propulsores principais ainda estão em melhores condições.

[NASA/The Verge]

Imagem do topo: A Grande Mancha Vermelha de Júpiter, vista pela Voyager I em 1979. Crédito: NASA/JPL