A Nokia acaba de apresentar seus dois primeiros Windows Phones, o Lumia 800 e o Lumia 710. E apesar de Stephen Elop dizer que eles são “os primeiros Windows Phone de verdade”, eles não trazem nada por dentro do software que justifique isso. A revolução, aparentemente, está em outro lugar: eles custarão 420 e 270 euros, respectivamente. Foque bem no segundo preço: 270 euros. Pouco mais de 600 reais.

Apesar da grande apresentação, os aparelhos em si não fizeram jus ao estardalhaço. O Lumia 800 é uma versão levemente modificada do N9 — a única diferença é que, para colocar os botões físicos do WP7, o Lumia perdeu 0,2 polegada de tela, ficando com 3,7″. Mas ela continua de AMOLED, a câmera é uma Carl Zeiss e ele tem processador de 1.4GHz, 16GB de espaço interno e 512MB de RAM. Para quem sonhava com um N9 rodando WP7, ele existe.

E custará 420 euros desbloqueado (US$585) ou cerca de R$1.000. Para quem compra smartphones no exterior, o preço é semelhante aos concorrentes premium, como iPhone 4S, Motorola RAZR etc. — mas, claro, comparando com o mercado americano. Já na Europa, onde o aparelho chega inicialmente (as pré-vendas começam hoje), ele é sensivelmente mais barato do que seus concorrentes: o RAZR, por exemplo, custará 600 euros desbloqueado, enquanto o Galaxy Nexus chegará por 650 euros.

Nokia Lumia 710

 

Mas o que realmente nos assustou é o preço do aparelho menor, o Lumia 710. Ele também roda Windows Phone, também tem processador de 1.4GHz, mesmo chip gráfico de seu irmão mais velho, tela de 3,7 polegadas… por 270 euros. Ok, seu design não é tão atraente quanto o de seu irmão mais velho, ele tem apenas 8GB de espaço interno e a tela não é de AMOLED, mas veja bem, estamos falando de um smartphone com processador atualizadíssimo, um sistema operacional incrível e tela de respeito por preço sugerido de R$660 reais.

Não é difícil entender por que ele chegará até o fim do ano em Hong Kong, Índia, Rússia, Cingapura e Taiwan: todos mercados emergentes, onde poucos estão dispostos a gastar muito em um smartphone. E, se você acompanhou a apresentação da Nokia, sabe qual é o objetivo da marca — expandir ainda mais seu espaço nos mercados emergentes, mas de forma lucrativa. Isso significa smartphones mais acessíveis, mas que rendem mais para a empresa do que um dumbphone de 99 reais.

No topo, a Nokia terá trabalho árduo: o N9 é incrível, e o Lumia 800 pode agradar a muitos também, mas o mercado de smartphones topo de linha é agressivo. Tirando o Nokia Drive (a adaptação do Nokia Maps para WP7), o aparelho tem pouco diferencial em relação aos outros WP7 — que já sofrem para ganhar tração no mercado. Mas talvez a solução da Nokia esteja no mercado médio, “o próximo um bilhão de usuários”: um smartphone topo de linha com preço acessível, que derrubaria diversos Androids medianos pelo caminho.