A maior plataforma de compartilhamento de vídeos do mundo começou a implementar medidas para restringir o alcance, a visibilidade e a rentabilidade de “conteúdo polêmico religioso ou supremacista“. E está funcionando? Vamos descobrir.

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Como descobrimos no início deste mês, o plano do YouTube para vídeos que não necessariamente violam as regras, mas ainda assim caem nessa categoria intermediária de conteúdo de ódio ou extremista, foi de limitar severamente seu alcance e visibilidade. Esses vídeos “não serão recomendados, monetizados e não terão funcionalidades essenciais, incluindo comentários, vídeos sugeridos e opções de curtir”, de acordo com um post de blog publicado pelo YouTube em 1º de agosto.

Imagem: YouTube

Depois de um pequeno intervalo que informa aos espectadores que o conteúdo “foi considerado inapropriado ou ofensivo para alguns públicos pela comunidade do YouTube”, esses vídeos em quarentena são executados, mas com quase nenhuma das funcionalidades esperadas da plataforma. Curtidas, inscrições, compartilhamento, comentários e mesmo a lista de vídeos recomendados são completamente desligados. Buscar o título exato do vídeo (mesmo com aspas) não o traz como resultado.

Efetivamente, as chances de qualquer pessoa visualizar esse vídeo por acidente são nulas.

Mas muitos vídeos extremistas não estão atualmente afetados pela quarentena. O único outro vídeo postado pela New Century Foundation — aparentemente um projeto da organização de supremacia branca American Renaissance — não está afetado de tal modo. O conteúdo leva o nome de “A Guerra Contras os Brancos”.

Da mesma forma, os vídeos de Stefan Molyneux — muitos dos quais, como esse acima da New Century Foundation, também focam em falsas correlações entre raças e inteligência ou a incapacidade de raças se misturarem — estão completamente visíveis e monetizados.

Aliás, buscar quaisquer dos termos populares dentro do atual movimento de supremacia branca, que está fincando raízes nos Estados Unidos, gera vários resultados. “Genocídio branco”, “questão judaica”, “agenda gay”, “mistura de raças”, os pontos de discussão comuns dos intolerantes, todos retornaram resultados com vídeo atrás de vídeo.

Claro, é impossível saber quantos resultados foram omitidos, já que a função de busca exclui esses vídeos em quarentena. Mas você fica imaginando se o YouTube está realmente se esforçando quando ainda acaba se deparando com títulos como “Hitler estava certo sobre tudo?”.

Apesar de uma repressão mais generalizada entre empresas tech contra conteúdo extremista — incluindo o Google — para remover sites e contas associadas com neonazistas, os canais de grupos associados com a violência em Charlottesville, como o National Policy Institute, de Richard Spencer, o Traditionalist Workers’ Party, o Identity Europa e o Vanguard America não parecem ter tido nenhuma das funcionalidades revogada.

Entramos em contato com o YouTube para esclarecimentos sobre como essas decisões estão sendo tomadas e vamos atualizar a publicação se tivermos uma resposta.

Imagem do topo: YouTube