O Yutu, veículo chinês de exploração lunar, pousou na Lua há pouco mais de um mês, e imediatamente começou a enviar fotos para a Terra. Infelizmente, parece que o trunfo da China pode durar pouco: segundo a agência de notícias Xinhua, o rover já apresenta problemas mecânicos. Viver no espaço é difícil!

A falha, segundo a Asssociated Press, está relacionada a um mecanismo que desliga o veículo durante a noite lunar, que dura duas semanas. Em vez de depender da energia solar, o Yutu usa sua bateria radiativa para manter o equipamento e sensores intactos.

A agência Xinhua fez algo inusitado e publicou um relato “em primeira pessoa” do Yutu, como se ele fosse o autor da notícia:

Era para eu ir dormir esta manhã, mas antes de eu ir dormir, meus mestres [engenheiros] encontraram algumas anormalidades no controle mecânico.

Algumas partes do meu corpo não conseguem ouvir os comandos deles. Agora meus mestres estão trabalhando duro, pensando em maneiras de me consertar… Mesmo assim, eu sei que é possível que eu não consiga sobreviver a esta noite.

Tadinho! Isso lembra aquela tirinha emocionante do XKCD sobre a sonda Spirit, gêmea da Opportunity.

Aliás, como aponta o WSJ, o anúncio de problemas mecânicos no Yutu veio dez anos após a NASA aterrissar com sucesso o rover Opportunity em Marte. E apesar de estar preso na superfície, ele ainda funciona e envia fotos para a Terra.

As dificuldades do Yutu ressaltam como é difícil levar – e comandar – um conjunto complexo de máquinas a milhares de quilômetros de distância. O rover só deveria caminhar pela Lua por três meses, mas até isso se provou um desafio.

Com o Yutu, a China é o terceiro país a pousar na Lua, após EUA e a antiga União Soviética. E é uma pena que um projeto de exploração científica ambicioso esteja passando por problemas.

Engenheiros chineses dizem que ainda não desistiram do Yutu. E a China certamente não desistiu de explorar o espaço: eles planejam lançar outra sonda lunar até o fim da década, e uma missão tripulada no começo dos anos 2020. [AP; AFP via WSJ]