Recentemente, Tim Cook completou 10 anos como CEO da Apple. O sucessor de Steve Jobs reformulou ideias e impulsionou a marca, que lançou uma geração de produtos memoráveis e se tornou a primeira empresa privada a alcançar valor de mercado de US$ 1 trilhão.

Um dos maiores desafios de Cook na última década, foi manter a qualidade dos produtos da marca, já que Jobs sempre foi e continua sendo uma referência nesse quesito.

Cook também foi o primeiro CEO de uma big tech a se assumir como gay — trazendo bastante representatividade para um setor ainda conhecido como machista.

O executivo é muito mais discreto que Jobs e joga mais seguro, sem tentar reinventar a roda. Ainda assim, seu sucesso à frente da Apple é inegável. Não por acaso, a empresa continua batendo recordes e hoje já vale US$ 2,59 trilhões.

Por isso, às vésperas do lançamento do iPhone 13, relembramos algumas das marcas de Cook nessa década à frente da Apple

Uma obsessão pela realidade aumentada

Nos últimos anos, o CEO da empresa tem mostrado sua vontade pela implantação da tecnologia de realidade aumentada (RA). Enquanto a maioria da indústria segue firme e apostando na realidade virtual, Tim Cook sempre viu realidade aumentada como superior.

O assunto tem sido recorrente nos últimos seis anos. O CEO garante que RAé tecnologia do futuro. Durante uma entrevista em 2016, Cook falou sobre o assunto e afirmou na época, que já havia um investimento sendo feito.

“Temos investido e continuamos investindo muito nisso. Estamos em alta na RA a longo prazo, acreditamos haver grandes coisas para os clientes e uma grande oportunidade comercial. A primeira coisa é garantir que nossos produtos funcionem bem com produtos de outros desenvolvedores, como Pokémon. É por isso que você vê tantos iPhones caçando pokemons”, disse na ocasião.

Tim Cook também já revelou que existe um trabalho sobre o assunto “por trás das cortinas” e explicou porque esse serviço pode se tornar crucial, além de ressaltar os desafios e dificuldades para implanta-lo para a grande massa.

“Estou animado com a realidade aumentada porque, ao contrário da realidade virtual que fecha o mundo, a RA permite que os indivíduos estejam presentes no mundo, mas espero que permita uma melhoria no que está acontecendo atualmente. A maioria das pessoas não quer se isolar do mundo por um longo período, e hoje você não pode fazer isso ou aquilo porque ficou doente. Com o AR você pode, não estar envolvido em algo, mas fazer com que seja parte do seu mundo, da sua conversa. Isso tem ressonância”, disse.

E continuou: “Eu vejo RA como vejo o silício aqui no meu iPhone, não é um produto em si, é uma tecnologia central. Mas há coisas a descobrir antes que a tecnologia seja boa o suficiente para o maioria. Eu acho que pode haver muitas coisas que realmente ajudam as pessoas na vida diária, coisas da vida real, é por isso que fico tão animado com isso”, concluiu o CEO.

Em 2017, a Apple lançou o Airkit, a plataforma de realidade aumentada da Apple para dispositivos iOS. Nela, era possível que os desenvolvedores produzissem aplicativos que interagissem com o mundo ao seu redor usando as câmeras e os sensores do dispositivo.

Hey, Siri

Um dos maiores desafios de Cook era manter o padrão de qualidade dos produtos já oferecidos na era de Steve Jobs e mais do que isso, fomentar o mercado com novos produtos, — e ele conseguiu.

Nesses dez anos, houve a chegada da assistente virtual Siri. Já existiam dispositivos controlados por voz, até mesmo o iPhone já contava com essa tecnologia desde 2009. Porém, em outubro de 2011, quando o iPhone 4S foi lançado, a Siri não chegou apenas como mais um método de controle por voz, mas sim como uma assistente virtual completa.

Vale lembrar que a Siri só chegou ao Brasil no início de 2015,  quatro anos após o lançamento do recurso lá fora

O recurso se tornou parte fundamental de tecnologias de automação de casa e está presente não só nos celulares, mas também em alto-falantes, TVs, fones de ouvido e outros aparelhos.

Escorregando nos mapas

Em 2012, era lançado o — desastroso- Apple Maps. Antes, a Apple tinha o Google Maps como aplicativo padrão. Porém, o chefe de softwares da Apple na época, decidiu que era hora de deixar o Google Maps de lado para trazer o Apple Maps. Quando o iOS 6 foi lançado para o público em setembro do mesmo ano, os usuários ficaram furiosos.

A novidade não saiu como esperada, o aplicativo não funcionava e a Apple teve que indicar aplicativos concorrentes para os consumidores. Na época, o próprio Tim Cook chegou a publicar uma carta se desculpando pelo lançamento precoce do sistema.

Lat que eu tô desenhando

Teve também a chegada da nova linguagem visual. Em 2013, a empresa apresentou o iOS 7 com visual completamente diferente do que já havia sido feito até então. Foi implementado o lat design com cores intensas, degradês e traços. A nova identidade visual do sistema foi logo estendida a outros sistemas, produtos e serviços da Apple, que “ditou moda”, várias outras empresas também atualizaram seus aplicativos, sites e até marcas seguindo o novo padrão.

Padrão Apple

Um dos recursos que os iPhones ganharam de maior destaque foi o Touch ID, que permite que o usuário desbloqueie o celular e também faça compras na App Store sem ter que digitar a senha, usando apenas a impressão digital.

O iPhone ganhou novos tamanhos, cores e diversos serviços novos.

E houve o lançamento do Apple Watch, que revolucionou o padrão dos smartwatches e se tornou o relógio mais vendido do mundo.

Os usuários conheceram novos jeitos de “carregar dinheiro” com a carteira digital e o Apple Pay. Além dos AirPods e o mundo sem fios que chegou chegando e caiu no gosto do público.

E teve também o fim de uma era com o cancelamento dos iPhods e, o fracasso do AirPower, anunciado com o iPhone X. O produto seria uma espécie de bateria sem fio que conseguiria recarregar a bateria de vários aparelhos ao mesmo tempo. Entretanto, o acessório foi cancelado sem mesmo chegar às lojas.

Tim Cook pode não ter conseguindo(ainda) superar o amigo Steve Jobs nas invenções de novos produtos, mas ele já mostrou que tem potencial para fazer da Apple, uma empresa cada vez maior.

Novas estratégias e o aumento da receita

Apesar dos bons rendimentos, a Apple adotou uma estratégia diferente nos últimos anos sob o comando de Tim Cook. A empresa tem recomprado as próprias ações no mercado. O CFO da companhia, Luca Maestri, disse que somente em julho deste ano, foram gastos mais de US$ 450 bilhões em recompras de dividendos.

A Apple já era uma gigante antes de Tim Cook substituir Steve Jobs. No final de 2011, ela valia cerca de US$ 370 bilhões. Em agosto de 2018, a marca alcançou um valor de mercado de US$ 1 trilhão (que soma todas as ações da empresa). A companhia não parou por aí e bateu o número surpreendente de US$ 2 trilhões no ano passado.

A receita também teve um salto gigante nessa década sob o comando de Tim Cook. No terceiro trimestre fiscal de 2011, o valor de vendas chegou a US$ 28,5 bilhões, já no mesmo período de 2021 os valores chegaram a US$ 81,4 bilhões. Desse valor, só o iPhone foi responsável por uma receita de US$ 39,6 bilhões, mais do que todo o valor que a marca arrecadou há 10 anos, quando Cook assumiu como CEO.

Um das principais medidas comerciais que ajudou a alavancar todo esse crescimento no valor de mercado da empresa, foi a aposta em serviços. Além dos eletrônicos, a Apple também tem assinaturas pagas como o Apple Music, App Store, iCloud e outros.

Visando concorrer diretamente com a maior empresa de streaming Netflix, que domina há alguns anos o setor de streaming de séries, filmes e documentários. Cook trouxe em 2019 a Apple TV+, que aposta em produções originais. O investimento deu tão certo que as produções streaming da maça foram indicadas a mais de 30 prêmios Primetime Emmy Award, só esse ano.

E mais uma vez trazendo a comparativa do ano fiscal de 2011, o setor de serviços da Apple gerou US$ 2,9 bilhões em receita daquele ano. Em 2020, esse número saltou para US$ 53,7 bilhões, um aumento de incríveis 1.751% no período.

Assine a newsletter do Gizmodo

Tim Cook completa 10 anos com muitos altos e promessas de novas tecnologias, mais precisamente a de realidade aumentada.

Cook certamente não quer que a Apple repita o caso do Google Glass ao lançar iGlasses (óculos de realidade aumentada) muito cedo e fracassar, definitivamente não antes que a tecnologia atenda aos altos padrões da Apple.

Será essa a próxima grande inovação da era Tim Cook na Apple para a próxima década?