As Catacumbas dos Capuchinhos de Palermo, na Itália, guardam uma história curiosa: Elas foram construídas na intenção de serem preenchidas por frades falecidos. Em determinado momento, os religiosos perceberam que o local permitia uma ótima conservação dos corpos. 

Os mortos colocados ali passavam por um tipo de mumificação natural, em que seus rostos permaneciam reconhecíveis mesmo após a passagem do tempo. O fenômeno foi considerado um ato de Deus. Sendo assim, o milagre deveria ser acessível a todos e, em 1787, foram liberados os sepultamentos no local de qualquer pessoa que vivesse na região da Sicília.

Múmias italianas
Imagem: Wikimedia Commons/Reprodução

Hoje, as catacumbas são não um ponto turístico (macabro) italiano, mas também um centro de pesquisa para arqueólogos e historiadores. Muitos corpos adultos do local já foram estudados, mas as crianças tiveram menos destaque.

Agora, cientistas da Universidade de Staffordshire, na Inglaterra, planejam aplicar tecnologias de raios-X para revelar mistérios das 163 múmias infantis alojadas no local. Os pesquisadores devem se concentrar nas crianças que morreram entre 1787 e 1880.

A investigação de dois anos deve começar analisando 41 corpos que residem dentro de uma capela infantil montada no local. Utilizando um aparelho de raios-X portátil, os cientistas devem recolher centenas de imagens das crianças em diferentes ângulos.

Depois, os exames serão cruzados com registros de arquivos a fim de revelar detalhes sobre a vida e morte das múmias infantis. Serão investigados desde aspectos biológicos, como a causa do falecimento e histórico de saúde, até fatores culturais, como a identidade da criança, roupas que utilizava e técnica de mumificação aplicada.