Mais um ano, mais recorde de calor quebrado. A Austrália entrou no novo ano superando sua temperatura máxima. O ano passado foi 1,5°C mais quente que a média histórica desde 1910, segundo dados do Australian Bureau of Meteorology (Escritório Australiano de Meteorologia, em tradução livre).

Quanto mais quente a Austrália fica, maior a probabilidade de pegar fogo, pois o calor seca a vegetação e aumenta as chances de incêndios explosivos. E o recorde de calor de 2019 ressalta essa nova realidade, com a Austrália desaparecendo na fumaça.

Os incêndios florestais em andamento criaram uma crise nos últimos meses. A parte sudeste do país parece uma paisagem infernal por causa dos incêndios florestais que continuam a aterrorizar moradores de Sydney a Adelaide. A vida selvagem foi devastada, as pessoas perderam suas casas, e a situação pode ficar ainda pior neste fim de semana.

No meio do calor recorde e dos incêndios intensos, o primeiro-ministro Scott Morrison está recebendo críticas por negligência desde o início da crise. Morrison — um conservador que adotou políticas pró-carvão que farão com que o mundo continue aquecendo perigosamente — agora está visitando partes afetadas do país, mas ninguém parece querer ele por perto.

Em vez disso, os sobreviventes têm dito ao primeiro-ministro exatamente como se sentem — e estão chateados. Em uma parada, Morrison foi questionado até deixar a cidade. Em outros, ele forçou as pessoas a apertar sua mão, incluindo um bombeiro que aparentava estar muito incomodado.

Pelo menos 18 pessoas morreram e 916 casas estão em ruínas enquanto as chamas engolem comunidades inteiras, de acordo com o Serviço de Bombeiros Rurais do estado australiano de Nova Gales do Sul. A crise climática tornará esse tipo de catástrofe mais provável. É melhor os líderes pensarem rapidamente em uma resposta apropriada. Forçar as pessoas a apertarem sua mão definitivamente não é a melhor saída.