Alguns dias atrás estávamos na IFA, em Berlim, enlouquecendo com um monte de TVs bacanas. Depois de testar várias e pesquisar sobre suas especificações, elegi as três melhores entre as que com certeza aterrissarão por aqui em um futuro próximo. Elas não são as mais baratas, é claro, mas representam bem quais as tecnologias quentes que vão virar padrão em um futuro próximo. A elas:

 



Philips 3D Cinema 21:9 Platinum

Para quem é seriamente cinéfilo, a TV de 58” com proporção 21:9 (a mesma do cinema) da Philips foi uma boa sacada quando apareceu por aqui ano passado. Mas ela aparentemente não decolou nas vendas porque 1) era terrivelmente cara e 2) não bastava um formato interessante se a melhor qualidade de imagem estava em outro lugar. O primeiro fator não foi exatamente resolvido, mas a Philips melhorou o seu modelo topo de linha em todos os aspectos. Em uma sessão fechada, pudemos ver a evolução da imagem TV (modelo anterior embaixo, nova TV em cima:

 

As cores estão mais brilhantes e o preto está bem mais preto (amplie na segunda imagem). A receita para atingir esse preto absoluto e todas as outras coisas interessantes: refresh de 480 Hz para cenas de movimento perfeitas, contraste animal por conta do LED com local dimming (Explicações lá embaixo) e o ambilight que, na pior das hipóteses deixa a TV mais bonita. Há ainda um novo processador de imagem que deixa as cores mais vívidas, o Bright Pro, que rendeu à irmã sem 3D o título de "Melhor TV LCD da IFA". É o mais próximo do cinema em casa sem telão e por menos de R$ 20.000 que já vimos.

A Cinema 21:9 nova vem com um transmissor de sinal 3D embutido, mas não sabemos com quantos óculos virá. O conteúdo em 3D, aliás, funciona bem direitinho, sem problemas de crosstalk (que resulta em fantasmas) que vimos, por exemplo, em modelos da Samsung. Mas você provavelmente vai preferir ver os bons e velhos filmes em 2D. A TV-telão ainda tem a função NetTV, que liga com a internet para mostrar vídeos da Internet, acessar widgets do eBay e outras coisas. Ainda não sabemos qual o tipo de conteúdo que teremos na versão nacional, mas updates de firmware possibilitarão novos canais/funções.

O único – e potencialmente grande, dependendo das suas preferências – problema é que na programação normal de TV e videogame você vai ter aquelas não muito simpáticas barras laterais. A Cinema chegará em algum momento até novembro aqui por um preço ainda não definido. Na Alemanha, ela sai por 3.990 Euros. 

 

Panasonic P50VT20

Das grandes fabricantes de áudio & vídeo, a Panasonic é a única que aposta mais fortemente na tecnologia de TVs de Plasma. Samsung e LG também têm modelos top de linha com a tecnologia de Plasma, mas a Panasonic é quem bate no peito e diz que ela é a melhor de todas. E, de acordo com o prêmio de EISA, ela é (no link há um vídeo interessante explicando a tecnologia).

A VT20 não é exatamente novidade. Apresentada na CES, em janeiro, e já à venda nos EUA há alguns meses, ela têm recebido vários prêmios de melhor TV 3D (na sua versão VT25, quase idêntica). Aliás, nós já havíamos falado muito bem sobre esta TV de 50” aqui, e ficamos novamente impressionados com novas demonstrações na IFA. Entre as opções com 3D, a Panasonic VT20 é a menos estupidamente cara e aponta para onde vai a tecnologia de Plasma, que agora tem de focar em processamento de imagem, já que o painel NeoPDP, semelhante à ledária Kuro, já é algo bem resolvido.

Os argumentos da Panasonic e de especialistas na ocasião do lançamento das primeiras TVs 3D era que a experiência desse tipo de conteúdo na tela de plasma era melhor, devido a velocidade de atualização dos pixels. Em janeiro, fazia sentido. Mas agora, com a chegada dos concorrentes com iluminação por LED com local dimming e altas taxas de atualização, não há mais um consenso se a plasma é a que se dá melhor com o 3D – nem que tem o contraste mais profundo. 

A grande vantagem, além do preço: as cores são menos estouradas, mais fieis, com direito à certificação THX (que nenhuma das concorrentes têm). Por outro lado, o brilho e a vividez não são tão alucinantes vívidas como as das TVs de Sony, Philips, Samsung e LG. 

Tudo isso posto, estamos felizes em dizer que ela continua sendo uma excelente alternativa e provavelmente a menos caríssima para cinéfilos sérios. Ainda não há preço definido, mas sabemos que ela será lançada em algum momento dos próximos meses, antes do Natal, com o kit completo (com direito a óculos). Como ela é mil Euros mais barata que a concorrência na Europa, imaginamos que a diferença de preço se mantenha aqui.

 

Sony XBR-52HX905

 

À venda desde a semana passada no Brasil (por R$ 10.999 na Sony Style), a TV da Sony é a que melhor junta design bonito e diferente com performance (as novas TVs da LG e Samsung são lindas, mas a finura tem um preço em performance). O desenho chamado de "monolítico" pela empresa japonesa é lindo e tem uma ideia bem interessante: o suporte dá a opção de deixar a TV um pouco inclinada para trás (6°), eliminando totalmente o reflexo. Funciona.

Tecnicamente, ela se parece um bocado com a da Philips: retroiluminação por LED com local dimming, 480 Hz de taxa de atualização e uma outra tecnologia para melhora no contraste. A HX905 (ou sua irmã, HX900, que vimos na feira) tem todas as portas HDMI com o novo padrão 1.4 e o processador de imagem Sony Bravia Engine 3, vendido como "o mais fiel" em relação a cores, o que rendeu à essa TV o prêmio de "melhor LCD 3D 2010-2011" da EISA. No Brasil, ela ainda terá Ginga para maior interação com a TV Digital (outra coisa em comum com a Philips).

Ficamos bem impressionados com o desempenho 3D da TV da Sony, provavelmente o melhor de todas as TVs no quesito. Isso foi ajudado também pelo tipo de demonstrações de 3D que os japoneses levaram à IFA. Em vez de filmes e animações mal convertidas para o 3D, como na concorrência, a Sony caprichou nas demos. Eu assisti um bocadão do replay da final da Copa nesta TV (e, de novo, esportes em 3D é o que há) e joguei um pouco de Killzone 3 em 3D, experiência absolutamente sensacional. O problema é que com este preço esperávamos que ela viesse já com o kit 3D como a prima LX905 (que tem iluminação por LED lateral, com um contraste menor.)

 

A grande diferença: local dimming

O que faz essas TVs mais sensacionais que as outras TVs sensacionais? Em termos de imagem, a explicação é o local dimming.

Todas as primeiras TVs de LCD com iluminação por LED (que a Samsung fez o favor de colocar na cabeça do consumidor que é diferente de LCD) usavam a tecnologia de LED edge-lit, que é a colocação das lampadinhas de LED – que acendem ou apagam para formar a imagem – no canto da tela. Isso faz com que ela consuma menos energia, tenha cores bacanas e um design mais fino. Mas também causa, quase que sempre, três probleminhas: vazamento de luz (um branco nos cantos), distribuição desigual de cores (no meio é pior) e auras brancas em imagens sobre fundo preto.

Quem tem uma TV LCD-LED de primeira geração deve saber que para videogames e TV isso é dificilmente perceptível. Mas coloque um filme muito escuro e você verá isso:

 

Essas imagens foram tiradas durante alguns testes que fizemos com a TV 3D da Samsung (7000, a mais "barata"), que tem iluminação por LED lateral, durante a reprodução do Blu-ray de Watchmen. 

No "local dimming" (Bright Pro, para a Philips, ou "precision dimming", para a Samsung) das versões mais caras, a iluminação do painel fica atrás da imagem, e a luz se apaga exatamente no ponto em que ela precisa, gerando uma definição de cores mais precisa (já que a imagem fica uniformemente distante da fonte de luz) e um contraste notavelmente superior. Como você viu no exemplo da Philips ali em cima, o preto é definitivamente preto.

Samsung e LG (além de Toshiba e Sharp, mas que não vêm ao Brasil) também mostraram suas versões de TVs com Local Dimming na IFA, mas, talvez pelo pouco tempo ou má qualidade das demonstrações, elas não nos impressionaram tanto. A briga agora é quem tem mais "clusters" de luz LED. Quanto mais grupos de luzinhas, mais precisa será a definição das cores e contraste da imagem. 

 

O que esperar da próxima TV

3D: A opção de 3D será algo padrão não só nas TVs de ponta no médio prazo. Afinal, basta só uma taxa de atualização de 120 Hz (o que já é quase padrão) e um processador de imagem mais rápido. Por enquanto é novidade e por isso as empresas podem cobrar mais caro, mas a possibilidade de passar conteúdo 3D (óculos vendidos separadamente) será não só tendência, mas vital para que a tecnologia pegue.

GINGA: Finalmente o padrão de interatividade de TV digital brasileira começa a decolar. Ele já deu as caras na Copa, em celulares, e aparece em cada vez mais programas. Isso significa que você poderá ver a tabela em tempo real ao assistir o futebol ou responder um quiz sobre a novela (FERA!). Ele estará presente em mais TVs nos próximos meses, já que não consome muitos recursos.

LED TRASEIRO: Hoje já é possível achar uma TV de LCD com iluminação por LED de 32”, Full-HD, por menos de R$ 2.000, algo impensável um ano atrás. Com a banalização do LED, espere agora mais investimento nas TVs com local dimming e processadores de imagem diferentes (como o Bravia 3 e Bright Pro) para que as marcas possam se diferenciar.

CONECTIVIDADE: Cada marca dá um nome para o seu pacote de comunicação da TV com Internet. Mas o fato é que antes de o Google TV aparecer por aqui as TVs terão cada vez mais conteúdo. Espere links diretos para aluguel de filmes (via Saraiva Digital) e programas mais organizados de vídeo e áudio, como os americanos têm em TVs preparadas com Hulu e Pandora. Skype nas TVs da Panasonic e navegador completo nas top de linha da Philips dão uma ideia do que pode vir por aí. 

 

* O Gizmodo Brasil viajou a Berlim para cobrir a IFA a convite da Philips.