Hoje estreia no Brasil o filme “A Rede Social”, longa que conta a história de Mark Zuckerbeg e de sua criação, o Facebook. Bem, não é exatamente sua criação, e é aí que mora o enredo da trama. E, ao contrário do que muita gente imaginava, o filme não é extremamente geek, graças a direção magistral de David Fincher. Separamos algumas razões para vocês, caros leitores, se sentirem obrigado a visitar o cinema.

É uma história nerd bem contada

O filme é baseado no livro “Bilionários Por Acaso”, um livro-reportagem de Ben Mezrich que conta de forma minuciosa a história de Zuckerberg e do brasileiro Eduardo Saverin, ambos estudantes de Harvard e com vida social bem limitada. Usando a ótima base do livro, Fincher conseguiu transformar a história de dois nerds num roteiro bem estruturado, que se divide nos primeiros dias de vida do Facebook e num futuro que envolve advogados, discussão de propriedade intelectual etc. Sem exageros em termos técnicos ou corte total das nerdices e com ótimo ritmo, o diretor conseguiu fazer um filme que, no fim das contas, não parece ser sobre o Facebook, mas sim sobre uma geração inteira.

A história é cheia de traições e falhas de comunicação, e isso fica ainda pior numa empresa que vale mais do que bilhões. A disputa pelo Facebook não era apenas entre os dois amigos de Harvard. Envolve ainda dois irmãos gêmeos da faculdade, um indiano e até um dos fundadores do Napster – e a forma como cada um desses personagens é retratado é sensacional. Explicar a complexa trama não era fácil, e o filme faz isso sem dificuldades.

Zuckerberg é um retrato de nossa geração

Jesse Eisenberg, o ator que interpreta Mark Zuckerberg, conseguiu colocar na tela boa parte dos tiques e estranhezas do criador do Facebook, sempre visíveis nas coletivas da empresa. Claro, ele é uma versão mais caricata e exagerada, mas a falta de cacoete para lidar com as pessoas – principalmente com mulheres, claro – e sua reação ao término de um namoro que passava por seríssimos problemas de comunicação é fácil de encontrar por aí: encher um blog de maldades, contar segredos e expôr ao ridículo alguém, sempre por trás da tela, com aquela confiança que só a internet dá. O ar de gênio incompreendido, desses que não precisam de regras e fazem parte da tal geração Y também expressa bem os dias de hoje.

A crítica americana se curvou ao filme

Logo que foi ao ar nas telas americanas, “A Rede Social” ganhou várias críticas positivas pelo país, como a escrita por Peter Travers, da Rolling Stone. Hoje o reconhecimento aumentou: o filme ganhou quatro prêmios na premiação dada pelo Conselho Nacional de Críticos de Cinema dos EUA – o prêmio é considerado o primeiro da nova temporada – entre eles o de melhor diretor e de melhor ator. Possivelmente ele também será indicado a algumas estatuetas do Oscar. 

É um blockbuster sobre tecnologia e geeks

Não bastasse ser um bom filme, “A Rede Social” é um filme sobre tecnologia, e talvez a primeira grande obra sobre a internet pós-redes sociais, microblogs e superexposição. Esqueça “A Rede” e suas telas pretas, ou “Hackers” e seu ar de anos 80. Estamos falando de pequenos gênios malucos, tímidos e gananciosos, loucos por fama e poder, com uma ideia simples na cabeça – que cada um jura ter sido sua. E há pitacos de tecnologia em várias cenas, como no momento em que ele invade vários sites de outras faculdades com facilidade e, principalmente, na palestra de Bill Gates. Você não vai se sentir deslocado ou traído pela falta de citações que provavelmente só 10% da sala irá entender.