Ciência

51,8 °C: mais de 900 morrem por calor em peregrinação à Meca

Na segunda-feira (17), quando o clima na Grande Mesquita de Meca chegou a uma temperatura de 51,8 °C, os fiéis começaram a passar mal pelo calor, principalmente os idosos, ocorrendo as primeiras mortes.
Imagem: X/Reprodução

Mais de 900 pessoas morreram durante a peregrinação anual à Meca, conhecida como Hajj, devido ao clima extremo de intenso calor, com temperaturas que chegaram a 51,8 °C.

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A agência de notícias AFP, em contato com dois diplomatas árabes, reportou, na terça-feira (18), 550 mortes em Meca devido ao calor. 323 eram cidadãos egípcios, enquanto, de acordo com a Reuters, 144 eram da Indonésia. Senegal, Jordânia, Tunísia e Irã também confirmaram mortes durante a peregrinação devido ao calor em Meca.

Aliás, a AFP informou que o número de mortes de pessoas da Jordânia subiu de 41 para 60, totalizando 577 mortes até a manhã desta quarta-feira (19). Esse número era duas vezes maior que o do ano passado, que teve 240 mortes reportadas.

Na segunda-feira (17), quando o clima na Grande Mesquita de Meca chegou a uma temperatura de 51,8 °C, os fiéis começaram a passar mal pelo calor, principalmente os idosos, ocorrendo as primeiras mortes.

Uma fonte da AFP revelou que acreditava que esse número de mortes fosse maior, pelo menos 600.

Na manhã desta quarta-feira (19), um diplomata disse à AFP que 68 indianos morreram durante o Hajj, superando a estimativa de mortes da outra fonte. Segundo o diplomata, muitos morreram pelas condições do clima em Meca.

Nesta tarde, outro diplomata informou que o número de mortes de egípcios subiu de 323 para 600. Segundo a AFP, agora são 922 mortes pelo calor durante a peregrinação à Meca, a maioria sendo do Egito, seguido pela Indonésia e Jordânia.

Peregrinação ‘clandestina’ sofre mais com o clima em Meca

O hajj é um dos cinco pilares do Islã e todos os muçulmanos, com meios para realizar, devem completar a peregrinação pelo menos uma vez.

No entanto, a peregrinação à Meca vem sendo afetada pela crise climática. De acordo com um estudo publicado em maio, houve um aumento a cada década de 0,4°C das temperaturas na região onde os rituais. 

Neste ano, 1,8 milhão de pessoas participaram do hajj, sendo 80% de outros países, de acordo com autoridades sauditas.

A cada ano, milhares de fiéis tentam participar do hajj sem obter vistos oficiais da peregrinação para economizar dinheiro. Isso é perigoso porque esses peregrinos ‘clandestinos’ não podem acessar as instalações com climatização do governo saudita ao longo da rota da peregrinação.

Um dos diplomatas que informou sobre as mortes à AFP, nesta quarta-feira (19), afirmou que a maioria era de egípcios sem registro oficial.

O Hajj ocorre desde o ano 632 e é uma das maiores reuniões religiosas do mundo, mas também é marcado por tragédias, como o pisoteamento em Mecca em 2015, quando mais de duas mil pessoas morreram.

Mesmo assim, o governo saudita afirmou que o hajj deste ano foi um sucesso, com o ministro da saúde se dizendo satisfeito pelo fato de não haver registros de movimentos similares ao de 2015, ou outras ameaças à saúde pública, apesar do grande número de fiéis e “os desafios impostos pelo clima”.

 

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