Neste final de semana, o apresentador Jeremy Clarkson (do programa Top Gear) revelou um novo protótipo para o lendário serviço de entrega por drones Amazon Prime Air. A aeronave bizarra que solta pacotes parece futurista, mas provavelmente não vai levar produtos para as massas tão cedo.

A Amazon não está sozinha em divulgar seus drones antes que eles possam realmente decolar. O Google divulgou o Project Wing há mais de um ano, mostrando sua própria aeronave futurista. Esta solução envolve um guincho descendo o pacote até o chão em uma corda.

O Google diz que vai lançar um serviço de entrega por drones até 2017, mas este prazo é terrivelmente ambicioso, tanto para eles quanto para a Amazon. Eis os motivos.

1) É apenas marketing

O programa de drones da Amazon equivale um bom e velho golpe de marketing. Ele foi revelado inicialmente em fins de 2013, alinhado com a temporada de compras natalinas.

Não surpreendentemente, este ano a Amazon resolveu falar mais sobre o Prime Air no meio de uma campanha publicitária massiva para promover seu serviço Prime Now, que oferece entrega em até uma hora de produtos selecionados em algumas cidades nos EUA.

Nestes últimos dois anos, o Prime Air seguiu confinado a vídeos de protótipos no YouTube, releases à imprensa e uma patente muito vaga. O comercial mais recente traz Jeremy Clarkson, que está prestes a lançar seu próprio programa no Amazon Prime Video, uma nova encarnação de Top Gear. Os clientes da Amazon poderão assistir ao novo programa no ano que vem; usar seus drones de entrega, no entanto, não.

2) A regulamentação não permite

De acordo com o anteprojeto mais recente da FAA (agência americana semelhante à Infraero), o novo protótipo de drone da Amazon não poderia tomar os céus.

A FAA exige que drones comerciais permaneçam “dentro do campo de visão do piloto e observador”. A Amazon está trabalhando com a agência para atualizar as regras, mas não está claro se o certificado de aeronavegabilidade experimental da empresa pode se aplicar a este novo protótipo. Outras empresas que desenvolvem programas de entrega por drones enfrentam os mesmos obstáculos.

amazon primeair prototipo (1)

3) A tecnologia ainda não chegou lá

A Amazon não diz qual a carga máxima que seus novos drones podem levar. (A aeronave em si pesa 25 kg.) No entanto, a julgar pelo tamanho da caixa no comercial, ele não será capaz de levar qualquer coisa maior que uma caixa de sapatos. Esta limitação é bem real: mesmo os drones mais avançados movidos a bateria, que já são utilizados para fins comerciais, só podem transportar alguns quilos.

4) As distâncias não fazem sentido

Cargas mais pesadas exigem tempos de voo mais curtos, porque é necessário usar mais energia para levantar o pacote. A Amazon promete entregas em 30 minutos ou menos, mas isso também significa que o alcance do drone é de apenas 15 km. Você precisa morar dentro de 15 km de um centro de distribuição da Amazon a fim de desfrutar do serviço.

5) O pouso é um problema

Se você mora em uma cidade, ou até mesmo numa área levemente arborizada, diversas propostas de drones de entrega – incluindo o novo protótipo da Amazon – provavelmente teriam problemas no pouso. Drones não se dão bem com árvores ou edifícios altos, de modo que seria difícil para a aeronave fazer o seu caminho até o chão.

6) Não existe controle de tráfego aéreo em baixa altitude

A Amazon diz: “um dia, ver veículos do Prime Air será tão normal quanto ver caminhões de correio na estrada”. É difícil imaginar que esse futuro aconteça em qualquer momento da próxima década. Drones só são permitidos a voar abaixo de 120 m, e o mais recente sistema de classificação aérea não regulamenta esse espaço.

Ou seja, nós precisamos de um novo sistema para garantir que esses drones não colidam uns com os outros o tempo todo. Mesmo que os novos drones da Amazon tenham recursos para evitar obstáculos, a tecnologia ainda não foi testada em um céu cheio deles.

7) O público em geral pode resistir à ideia de drones

Você realmente quer drones da Amazon sobrevoando sua casa? Eles são barulhentos, estranhos, e podem ou não ter uma câmera apontada para sua janela – ou, pelo menos, é o que muitas pessoas vão pensar. Esta é uma limitação cultural que várias empresas terão que transpor para que os drones se tornem tão comuns quanto smartphones.

Imagens via Amazon