A série sul-coreana de drama Round 6 estreou há duas semanas na Netflix e se tornou sucesso mundial. Espera-se que, a qualquer momento, a série se torne uma das mais assistidas da história plataforma.

Com personagens cativantes e uma trama complexa e impiedosa, a produção acumula cativou o público e a crítica. Até Jeff Bezos, dono da Amazon Prime Video — plataforma que é concorrente direta da Netflix — se prestou a comentar a série em seu Twitter.

Selecionamos algumas curiosidades do programa — que você provavelmente desconhecia até agora. A lista de fatos envolve informações sobre a origem da série, o significado das cores e usadas na trama e até um possível motivo do nome ser diferente no Brasil.

Quem for mais sensível a spoilers, já fique avisado: daremos alguns ao longo deste texto.

Brincadeira mortais

A popularidade se deve, pelo menos em partes, à premissa inusitada de adaptar jogos infantis com uma abordagem violenta, usando-os como pano de fundo para a disputa de um prêmio milionário.

As brincadeiras vão desde Batatinha, 1, 2 e 3 (algo aqui no Brasil como Estátua), Bolinha de Gude, Cabo de Guerra e o Jogo da Lula –– nome escolhido para batizar a série no resto do mundo.

Imagem: Netflix

O diretor, Hwang Dong-hyuk, explicou a escolha por dar destaque a esses jogos infantis, mas com um toque sangrento. “Os jogos retratados são extremamente simples e fáceis de entender. Isso permite que os espectadores se concentrem nos personagens, em vez de se distrair tentando interpretar as regras”, disse em entrevista à revista Variety.

História de longa data

Imagem: Netflix

Dong-hyuk escreveu o primeiro roteiro em 2008, mas recebeu muitas negativas ao longo dos anos. O motivo? As pessoas consideravam a série muito violenta.

Porém, com a popularização do gênero Battle Royale — em filmes, como Jogos Vorazes, até jogos, como FortniteRound 6 conseguiu ter o timing ideal para surfar nessa nova onda.

Além disso, o diretor revela que escreveu a história foi que estava passando por dificuldades financeiras — assim como os personagens de Round 6. Ao ser perguntado se ele toparia participar de um jogo na época, o cineasta disse que sim.

As escadas são inspiradas em uma obra de Escher

A série ficou marcada pelos cenários coloridos e as escadas quase infinitas. No caso das escadarias em que os 456 participantes vão subindo até chegar ao locais de prova, a filmagem e o cenários foram inspirados na ilustração Relativity, do artista M.C Escher.

A ideia é mostrar os diferentes caminhos que cada participante escolhe ao longo da jornada, apresentando também o caos e o sentimento de desorientação com a proposta tão extrema e perigosa do jogo.

As cores do uniformes também têm um motivo

Imagem: Netflix

Assim como os icônicos macacões vermelhos de La Casa de Papel, Round 6 ficou marcado pelos uniformes verdes escuros que os participantes usam.

A escolha das cores também tem motivo: o verde era a cor que estampava os uniformes escolares na época em que Hwang Dong-hyuk estava no ensino médio. Já a escolha do rosa foi mais simples. uma vez que é a cor oposta ao verde na Roda das Cores, aumentando o contraste.

Baita de uma bolada

Imagem: Netflix

Em Round 6, os participantes são atraídos por um anúncio de que podem ganhar até 49 bilhões de wons (moeda da Coreia do Sul). Aqui no Brasil, não temos muita ideia do tamanho desse prêmio só de olhar pros números. Mas a dona Netflix divulgou quanto seria o prêmio em reais. Como você pode imaginar, é uma bolada de respeito: cerca de R$ 208 milhões. No post feito no Twitter, há também outras cifras importantes na trama — como as dívidas dos personagens.

Mudança de nome

Imagem: Netflix

Como dito, a série ao redor do mundo se chama “Jogo da Lula”, uma referência a uma brincadeira local. Entretanto, ela virou Round 6 no Brasil.

Não se sabe exatamente o motivo da mudança, mas os internautas chutam que é para evitar ser associado ao Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do país e futuro candidato nas eleições presidenciais em 2022.

Alguns acreditam que a alteração ajudaria a evitar polêmicas e associações ao político, apesar da Netflix Brasil nunca ter explicado o porquê.

Um cartão, várias dores de cabeça

Imagem: Netflix

Em dois episódios, aparece um número de telefone para o qual o futuro jogador em potencial deve ligar. Entretanto, os números que aparecem são telefones reais. Não à toa, a dona do número teve a vida colocada de cabeça para baixo.

Segundo o site Koreaboo, a tal dona do número, que não quis se identificar, começou a receber diversas mensagens e ligações. Ela relata que chegou a deletar 4 mil números, e que fica recebendo mensagens a todo momento.

Ela diz ter sido procurada pela Netflix, que ofereceu uma compensação de 1 milhão de wons (aproximadamente R$ 4.500 na cotação atual) e aconselhou que ela mudasse de número. Mas ela negou, porque tem o tal número há 10 anos e o usa para fins comerciais.

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Brasileiro <3 Round 6

Os brasileiros se apegaram a série num nível que bom… só o BR faz.

A Netflix criou uma conta no WhatsApp para divulgar as figurinhas oficiais da série sul-coreana para os usuários usarem e espalharem pelos grupos e conversas.

Além disso, quando rolou a instabilidade no WhatsApp, Facebook, Messenger e Instagram os brasileiros culparam quem? Mark Zuckerberg? Não; Round 6, é claro.