Depois de muitas ameaças terroristas, teorias da conspiração e intervenções presidenciais, a Sony finalmente lançou o filme A Entrevista esta semana. Ele estreou em 331 cinemas nos EUA e também em grandes serviços online, como YouTube e Xbox Video. Mas isso não o impediu de ser um sucesso de pirataria.

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Segundo o TorrentFreak, A Entrevista já foi baixado mais de 1,5 milhão de vezes desde seu lançamento na véspera de Natal – um número “comparável ao de filmes com grandes bilheterias, mas certamente não excepcional”.

O filme se destacou em torrents por basicamente dois motivos. Primeiro, ele foi lançado apenas nos EUA e Canadá: ele está disponível no YouTube, Google Play ou Xbox Video, mas apenas para clientes norte-americanos – o aluguel custa US$ 6.

Também é possível alugá-lo no site SeeTheInterview.com, que passou por um problema infeliz de DRM: era possível clicar com o botão direito e salvar o vídeo no computador. Ops!

Críticas

O outro motivo para o sucesso d’A Entrevista nos torrents, claro, é que o filme não é muito bom – ele tem nota 47% no Rotten Tomatoes. Mesmo quem pode alugar o filme talvez não esteja interessado em pagar por ele.

Críticos dizem que o filme não é muito engraçado, e mais: para a Variety, “os EUA ficam com uma imagem quase tão ruim quanto a Coreia do Norte”. Por sua vez, a Wired diz:

De jeito nenhum a Coreia do Norte hackeou a Sony por causa desse filme – Pyongyang estaria ligando para qualquer executivo da Sony que não tenha sido demitido por falarem demais por e-mail, e iria se dispor a financiar uma continuação ao invés de alimentar seu povo.

No filme, dois jornalistas conseguem uma entrevista com o líder norte-coreano Kim Jong-Un e, em seguida, são instruídos pela CIA a matá-lo. A Entrevista arrecadou US$ 1 milhão no lançamento, sem contar o faturamento online; seu custo foi de US$ 44 milhões.

“Filme desonesto e reacionário”

E o que a Coreia do Norte achou de lançarem A Entrevista? Obviamente, eles não gostaram nem um pouco. A Comissão Nacional de Defesa, órgão que controla as forças armadas norte-coreanas, condena os EUA por exibirem um “filme desonesto e reacionário que fere a dignidade da liderança suprema da RPDC [Coreia do Norte] e incita o terrorismo”.

Barack Obama disse em rede nacional que cancelar o lançamento do filme era um erro. Por isso, a Coreia do Norte tem palavras voltadas especificamente para ele. O comunicado diz:

Obama, presidente dos EUA, é o principal culpado que forçou a Sony Pictures Entertainment a distribuir indiscriminadamente o filme, e assumiu a liderança em convencer e chantagear salas de cinemas no território americano a distribuir o filme.

No mesmo comunicado, o porta-voz não identificado diz que “Obama sempre é imprudente em palavras e atos, como um macaco em uma floresta tropical”. A internet e rede 3G da Coreia do Norte estão fora do ar. [TorrentFreak; BBC]

Foto por AP Photo/Damian Dovarganes