A história do cinema nacional começa em julho de 1896, ocasião em que ocorre a primeira exibição de uma película no Rio de Janeiro. Mas é de fato em 1897 que surge a primeira sala de cinema aberta ao público, por incentivo dos irmãos italianos Paschoal Segreto e Affonso Segreto. Eles são considerados os pioneiros do cinema no Brasil, realizando, em 1898, filmagens da Baía de Guanabara.

Em São Paulo, foi somente no ano seguinte, em 1899, que Pachoal Segreto realizou uma filmagem para celebrar a unificação da Itália. A primeira sala de cinema aberta na capital paulista, chamada de Bijol Theatre, surgiria apenas no início do século que viria. O movimento começava a dar as caras, mas tinha um pequeno detalhe que atrasava o desenvolvimento da sétima arte no país: a tardia falta de eletricidade, que somente foi resolvida em 1907, com a implantação da Usina Ribeirão de Lages, no Rio de Janeiro.

Esses foram os primeiros dias de umas das expressões artísticas que melhor – e cada vez mais precisamente – retratam a cultura brasileira. A história que segue é muito rica e, pensando nisso, em parceria com o Telecine, decidimos montar uma linha do tempo com os maiores marcos do cinema nacional. Confira!

Uma viagem através das décadas e dos principais marcos do cinema brasileiro

 

A expansão do cinema nacional

Nesse período, as películas brasileiras eram predominantemente documentários. Foi em 1908 que o cineasta luso-brasileiro, António Leal, apresentou “Os Estranguladores”, considerado o primeiro filme de ficção nacional curta-metragem.

Anos depois, em 1914, depois de muita experimentação, o português Francisco Santos exibiu o primeiro longa-metragem produzido no país, intitulado “O Crime dos Banhados”, com mais de duas horas de duração.

Depois da Primeira Guerra Mundial, com a prosperidade do ocidente, na década de 1920, o cinema brasileiro ganhou visibilidade. Produções se espalharam por vários cantos do país, dando origem aos ciclos regionais.

Na década de 1930, foi criado o primeiro grande estúdio no Brasil: a “Cinédia”. As produções mais importantes dessa época foram: “Limite” (1931), de Mario Peixoto; “A Voz do Carnaval” (1933), de Ademar Gonzaga e Humberto Mauro; e “Ganga Bruta” (1933), de Humberto Mauro.

Duas companhias pioneiras: a Atlântida e Vera Cruz

Fundada em 18 de setembro de 1941, no Rio de Janeiro, por Moacyr Fenelon e José Carlos Burle, a Atlântida Cinematográfica foi uma das principais responsáveis pelo surgimento do gênero das chanchadas, filmes cômicos-musicais de baixo orçamento.

Destaque para a ascensão de atores como Oscarito, Grande Otelo e Anselmo Duarte e para os filmes “Moleque Tião” (1941), “Tristezas Não Pagam Dívidas” (1944) e “Carnaval no Fogo” (1949).

Em 1949 nasceu o estúdio Vera Cruz, baseado nos moldes do cinema norte-americano, em que os produtores buscavam realizar produções mais sofisticadas. Mazzaropi foi o artista de maior sucesso do estúdio. A Vera Cruz representou um marco na industrialização da cinematografia nacional. Destaque para o filme “O Cangaceiro” (1953), o primeiro brasileiro a ganhar o Festival de Cannes.

A Vera Cruz não teve vida longa, entretanto: faliu em 1954, mesmo ano em que foi produzido o primeiro filme nacional a cores: “Destino em Apuros”, de Ernesto Remani.

Ainda na década de 1950, já foram produzidos filmes considerados precursores do Cinema Novo, como “Rio 40 Graus” (1955), de Nelson Pereira dos Santos.

Cinema nacional nas décadas de 1960 e 1970

De caráter revolucionário, o Cinema Novo focava nas temáticas de cunho social e político. Destaque para as películas do baiano Glauber Rocha: “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964) e “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (1968).

De 1968 a 1970, especificamente, surge o Cinema Marginal, ou “Údigrudi”. Essas produções estavam bastante alinhadas ao movimento de contracultura e também ao tropicalismo.

O Cinema Marginal sofreu grande censura por parte do Regime Militar, por seu caráter experimental e radical. Um filme de grande destaque foi “O Bandido da Luz Vermelha” (1968), dirigido por Rogério Sganzerla, e as maiores produtoras foram a “Boca do Lixo”, em São Paulo e a “Belair Filmes”, no Rio de Janeiro.

No meio desse recorte e na contramão do movimento, em 1969, é criada a Embrafilme (Empresa Brasileira de Filmes), apoiada pelo governo ditatorial e com a finalidade de usar o cinema como uma importante ferramenta de controle estatal. Nesse contexto, o Estado passa a financiar as principais produções cinematográficas do país.

Na sequência dos anos 1970, em São Paulo, as produções de baixo custo do movimento “Boca do Lixo” começavam a produzir as pornochanchadas – talvez o gênero mais emblemático da história do nosso cinema nacional -, baseada nas comédias italianas e com forte teor erótico, à exemplo de “A Viúva Virgem” (1972), do cineasta Pedro Carlos Rovai.

As películas dessa corrente duraram até o fim da década de 1980, quando os filmes pornôs começaram a aparecer por todo o mundo.

Por fim, ainda que a produção cinematográfica tenha sofrido oscilações do meio para o encerramento da década de 1970, filmes como “Dona flor e Seus Dois Maridos” (1976), do cineasta Bruno Barreto, e filmes de comédias, com a Turma dos Trapalhões, por exemplo, faziam bastante sucesso.

Cinema nacional nas décadas de 1980 e 1990

O começo da década de 1980, para o cinema nacional, é desastrosa. O primeiro motivo é a chegada do videocassete e a proliferação das locadoras. Depois vem o fim da ditadura e a crise econômica.

Mas ainda assim, o cinema nacional respirou por aparelhos. Algumas produções merecem destaque, tais quais: “O Homem que Virou Suco” (1980), de João Batista de Andrade; “Jango” (1984), de Sílvio Tendler; “Cabra Marcado para Morrer (1984)”, de Eduardo Coutinho; “Pixote, a Lei do Mais Fraco” (1980), de Hector Babenco; e “Ilha das Flores” (1989), de Jorge Furtado, talvez o que mais tenha marcado época e que, aliás, continua muito atual.

Em 1990, com a chegada de Fernando Collor no poder, os últimos pregos do caixão foram postos às mãos. Além das privatizações, o novo presidente extinguiu o Ministério da Cultura e acabou com a Embrafilme, o Concine e a Fundação do Cinema Brasileiro.

Cinema de Retomada

É na segunda metade da década de 1990 que o cinema retoma sua musculatura. Esse período ficou conhecido como Cinema de Retomada.

Apesar de ter promulgado a Lei Rouanet, o principal mecanismo de incentivo à cultura até hoje, foi somente após a renúncia de Collor que o cinema nacional voltou a palpitar – ainda que muito timidamente. O falecido presidente Itamar Franco, sucessor de Collor, promulgou a Lei do Audiovisual – uma lei de incentivo fiscal mais específica para o setor e que até hoje é a mais utilizada – e seu sucessor, o presidente Fernando Henrique Cardoso deu continuidade às suas políticas estatais de fomento à cultura.

O filme tido como marco inicial do movimento foi “Carlota Joaquina” (1995), de Carla Camurati, primeiro filme nacional da década a levar mais de 1 milhão de pessoas ao cinema. Em 1995, 14 longas já tinham sido lançados, número que foi aumentando gradativamente.

Com muitos filmes abordando temáticas sociais, são diversas as características que podem ser atribuídas àquele momento do cinema. Cineastas adotaram abordagens mais intimistas: se sentiram livres para cumprir sua própria agenda, o que justifica a presença de um cinema mais marcado pelo tom pessoal. Houve também o deslocamento do eixo Rio-São Paulo de produção para outras partes do país e a revisitação do sertão e da favela, presentes em movimentos artísticos do passado.

Nessa década, merecem destaques as produções: “O Quatrilho” (1995), de Fábio Barreto; “O Que é Isso Companheiro?” (1997), de Bruno Barreto; e, principalmente, “Central do Brasil” (1998), dirigido por Walter Salles.

Cinema nacional nas décadas de 2000 e 2010

No começo do novo milênio, surgiu o conceito de Cinema Popular Brasileiro. Basicamente é um movimento orientado por cifras, isto é, atingir grandes números nas bilheterias do circuito comercial.

A primeira característica das maiores bilheterias dos anos 2000 é uma predominância daqueles filmes que buscam sua legitimidade na representação de um determinado aspecto da nossa sociedade.

Destaque também para, em 2001, a criação da Ancine (Agência Nacional do Cinema), órgão oficial do governo federal, constituída como agência reguladora, cujo objetivo é fomentar, regular e fiscalizar a indústria cinematográfica brasileira.

Entre os grandes filmes desse período estão: “Cidade de Deus” (2002), de Fernando Meirelles; “Carandiru” (2003), de Héctor Babenco; “Dois Filhos de Francisco” (2005), de Breno Silvera; “Se Eu Fosse Você” (2006), de Daniel Filho”; “Tropa de Elite” (2007), de José Padilha; “Tropa de Elite 2” (2010), também de José Padilha; “De Pernas pro Ar” (2010), de Roberto Santucci; “Minha Mãe é uma Peça: O Filme” (2013), de André Pellenz; “Que horas ela volta?” (2015), de Anna Muylaert; e “Bacurau” (2019), de Kléber Mendonça Filho.

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