Ainda não há casos de varíola dos macacos no Brasil, mas isso não significa que eles não podem ocorrer por aqui. No último domingo (23), foi registrada uma suspeita da doença na Argentina, bem ao nosso lado. Até o momento, essa é a única em toda a América do Sul. 

Mas dentro de um mundo globalizado, tudo pode mudar de um dia para o outro. Basta que uma pessoa infectada pegue um avião para que o vírus viaje com ela para qualquer lugar do planeta. 

Epidemiologistas acreditam que a chegada da varíola dos macacos no Brasil é questão de tempo. Por isso, os médicos devem estar preparados para realizar um diagnóstico rápido da doença, assim como a população também precisa estar informada para caso surjam sintomas. 

Lesões na pele – mais intensas do que as da catapora – são o principal indicativo da infecção. Somam-se ainda quadros de febre, dor de cabeça, dores no corpo, exaustão, calafrio e inflamações nos nódulos linfáticos. 

A transmissão do vírus ocorre por meio do contato próximo com a pessoa infectada. Deve-se evitar encostar nas lesões do paciente e utilizar as mesmas roupas ou lençóis. A tosse e o espirro também podem transmitir o vírus.

Autoridades investigam a possibilidade do surto ter sido iniciado após práticas sexuais de risco. A varíola não é uma doença sexualmente transmissível, mas o contato próximo durante o ato também pode contribuir para a sua disseminação. 

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) formou uma comissão técnica para acompanhar os casos de varíola de macacos no Brasil. Pesquisadores envolvidos produziram manuais sobre a doença, que trazem as principais formas de contágio e as informações disponíveis sobre os casos registrados em outros países.

Até o momento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já confirmou 131 casos fora da África – continente em que o vírus é endêmico – e segue investigando outros 106. Já existe vacina e antivirais para conter a infecção, porém os recursos são limitados e ainda não estão sendo aplicados.

Não foram registradas mortes em decorrência da doença. A infecção parece passar de maneira natural após algumas semanas. De acordo com a OMS, ainda não há urgência para a imunização em massa.