As estudantes Camily Pereira dos Santos e Laura Nedel Drebes vão representar o Brasil na grande final do Prêmio Jovem da Água de Estocolmo, que acontece na Suécia entre o final de agosto e início de setembro.

A dupla de alunas do ensino médio desenvolveu absorventes sustentáveis e acessíveis feitos com resíduos industriais. A conquista  foi anunciada durante a etapa nacional do Prêmio Jovem da Água, que ocorreu nos dias 5 e 6 de junho no Rio de Janeiro. Havia, no total, cinco projetos brasileiros finalistas.

O absorvente das jovens, batizado “SustainPads”, tem as sobras de tecido como base. Dentro do molde, há espaço para um refil sustentável: como forma de imitar o algodão, foram usados pseudocaules de bananeira e de açaí de juçara. Os produtos foram envolvidos por resíduos nutracêuticos e farinha do mesocarpo do cacau, que reproduzem o plástico. 

Absorventes sustentáveis
Na foto, Laura Nerdel Drebes, Flávia Twardowsk (professora orientadora) e Camily Pereira dos Santos posam no laboratório. Imagem: Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES)/Reprodução

Os absorventes sustentáveis criados pelas estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) custam, em média, R$ 0,02 por unidade.

Estima-se que 1,5 milhão de mulheres brasileiras vivem em casas sem banheiros. Nas prisões, 60,9% das detentas relatam que a quantidade de absorventes recebidos pelo Estado é insuficiente para suas necessidades. 

Ao mesmo tempo, estima-se que as mulheres descartam 10 mil absorventes durante suas vidas. Cada um deles demora até 500 anos para se decompor, representando um enorme dano para o meio ambiente.

Sendo assim, as jovens gaúchas conseguiram em seu projeto mostrar alternativas para reduzir a pobreza menstrual sem aumentar a pegada ecológica.