As cavernas frias, escuras e isoladas do arquipélago de Haida Gwaii, no Canadá, são o lugar perfeito para preservar restos de animais. Era exatamente isso que pesquisadores da Universidade de Victoria, no Canadá, queriam encontrar quando começaram a explorar o local. 

Mas a surpresa foi maior: os arqueólogos se depararam com uma ponta de lança datada em cerca de 11.000 anos, sugerindo que humanos haviam se abrigado na caverna no passado. O episódio aconteceu há cerca de 20 anos e, desde então, as buscas nas cavernas de Haida Gwaii cresceram.

Só que o mais interessante dos objetos encontrados só foi divulgado agora: pesquisadores identificaram a evidência mais antiga de cães domésticos nas Américas — um dente com 13.100 anos de idade. O estudo que descreve a descoberta foi publicado na revista científica Quaternary Science Reviews.

No passado, humanos e cachorros estavam intimamente relacionados. Logo, se existem evidências de cães domésticos em um sítio arqueológico, é porque as pessoas também passaram ali. E, aqui, cabe se atentar às datas: as pontas de lança e outros artefatos encontrados anteriormente sugeriam a presença humana há 11 mil anos, mas o dente animal joga o número 2 mil anos para trás.

Ao longo dos anos, foram exploradas três cavernas do arquipélago, e todas tinham evidências arqueológicas. Uma delas parece ter sido utilizada como acampamento temporário para antigos caçadores-coletores, já que contava com uma lareira e ferramentas de pedra.

Entre as cavernas, havia ainda evidências de ursos pardos que se abrigaram no local 11.700 anos atrás. Estes animais são comuns na região canadense de Columbia Britânica, mas essa é a primeira vez em que eles são registrados nos arredores de Haida Gwaii. Uma série de revelações riquíssimas não apenas para a história arqueológica do Canadá, mas para todo o continente americano.