Depois que a Nokia apresentou seus novos planos – adotar o Windows Phone 7, largar o Symbian aos poucos e tirar o foco do MeeGo, enquanto faz demissões na empresa – muitos ficaram em polvorosa. Claro que decisões polêmicas como estas não agradariam a todos, mas ver acionistas da Nokia querendo revertê-las, e ver o sindicato exigindo R$220.000 por funcionário demitido, é de impressionar.

Nove acionistas da Nokia, que dizem ter trabalhado na empresa no passado, publicaram uma carta aberta chamada de Nokia Plano B. (ATUALIZAÇÃO: o Nokia Plan B era falso. E muita gente, incluindo o Wall Street Journal, acreditou.) Se você não gostou do acordo Nokia + Microsoft, a carta exige tudo o que você quer: demissão imediata do novo CEO da Nokia, Stephen Elop, e priorização do MeeGo como plataforma dos próximos smartphones da Nokia. O Windows Phone 7 continuaria, mas apenas em uma estratégia voltada para os EUA, não para o mundo todo. E o Symbian deveria receber, pelo menos, mais cinco anos de vida.

Foi tudo rápido demais: a carta foi publicada há dois dias, e hoje já foi abandonada. O grupo do Plano B disse ter recebido apoio de muitos outros acionistas, mas os grandes investidores institucionais – como bancos e outras empresas – aparentemente não apoiaram a ideia (e na verdade são legalmente proibidos de fazê-lo). Afinal, quando eles não concordam com os planos de uma empresa, eles simplesmente vendem as ações e investem em outra empresa. Como as ações da Nokia despencaram 25% desde o anúncio da parceria, parece que eles estão fazendo exatamente isto.

Por causa do apoio insuficiente, e porque implementar o Plano B seria algo demorado, os nove acionistas desistiram da proposta.

É difícil para quem apoia a Nokia ver que a empresa precisava de uma boa sacudida para voltar aos tempos de glória. Não adianta ter o sistema (Symbian) que mais vende no mundo se a participação de mercado dele cai trimestre após trimestre. Não adianta fazer ótimos dumbphones se empresas chinesas fazem aparelhos bem mais baratos. E não adianta muito adotar o Android nesta altura do campeonato, porque aí a Nokia chegaria tarde pra festa e viraria só mais uma fabricante, dentre as já estabelecidas Samsung, Motorola, HTC, LG…

Entender os novos planos da Nokia leva um pouco de tempo, e nós a apoiamos – e mal podemos esperar pelos novos aparelhos com Windows Phone 7 que devem (ou melhor, que precisam) chegar ainda este ano.

Sindicato e demissões

Enquanto isso, o sindicato Pro exige um pagamento de €100.000 mais benefícios para cada funcionário que a Nokia demitir, “para ajudar a financiar a reeducação deles”. Segundo o sindicato, a Nokia pode cortar até 5.000 empregos na Finlândia, onde ela tem 20.000 funcionários. Em outubro, já foram eliminados 1.800 posições na empresa, e Stephen Elop prometeu nesta sexta-feira “reduções substanciais de funcionários” ao redor do mundo. Claro que os funcionários não estão contentes.

Sindicatos quase sempre exageram nas reivindicações – afinal, alguém tem que defender os trabalhadores. Sendo exagero, mesmo com leis trabalhistas mais rígidas na Finlândia, não vejo essa exigência sendo atendida. Até porque, por um custo de €100.000 não vale a pena fazer demissões. E, como resume o MarketWatch: os cortes que a Nokia vai fazer são ruins, mas não exatamente inesperados. A Nokia só tem que trabalhar junto ao governo da Finlândia, já que demissões por lá tem um impacto enorme – a Nokia é a empresa que mais contrata no país. [Nokia Plan B, Wall Street Journal e Dow Jones via Engadget]

Fotos via El Geek e HS.fi