É algo que a gente já está careca de saber: declarações oficiais sobre tempo de autonomia de baterias de laptops tem uma relação extremamente tênua com a realidade. Como seria de se esperar, todos usam os mesmos truques para conjurar suas estatísticas bobinhas — e eles não tem planos de parar.

A AMD, como parte de algum tipo de campanha de RP, andou dizendo que a culpa é uma suíte de testes chamada MobileMark2007:

Os parâmetros para este teste inclem deixar o monitor com apenas 20% de brilho, Wi-Fi desligado e sem música, vídeo, jogos ou páginas da Web rodando. A grosso modo, o teste transforma o computador em um relógio digital mal iluminado e aí vê quanto tempo a bateria dura.

Este é exatamente o tipo de teste que você teria que rodar para chegar aos números até 100% inflados que a indústria divulga, e a aparente ubiquidade desta suíte lhe dá um certo ar de autoridade — ou ao menos respeito — dentro da indústria. Usar qualquer coisa mais honesta colocaria uma fabricante em desvantagem competitiva.

É aqui que a história se transforma em subterfúgio de acusações: a AMD diz que estes testes não apenas beneficiam as fabricantes de modo geral — eles são injustamente favoráveis à Intel, cujos chips são otimizados para estes cenários pouco realistas. É fácil ver como isso seria chato para a AMD, mas não fica claro se há algo que ela realmente possa fazer. Eles propõem um sistema que mostre duas avaliações de bateria: uma mostrando uma situação teórica do máximo que a bateria dura quase sem uso, e outra refletindo uso pesado (a Sony ganha créditos por já estar fazendo algo parecido com isso). A Intel admite a prática de maneira taciturna, mas naturalmente tira o corpo fora, enquanto a AMD não inspira muita confiança:

Por volta de 2010 ou 2011, algo deve aparecer de algum consórcio que possa ser usado. Isso leva de dois a três anos.

Er… valeu por tentar, eu acho! [NYT]