Tecidos saudáveis são como ecossistemas saudáveis: ambos são compostos por populações diversas. Porém, nos casos de tecidos tumorais, um tipo celular único e maligno geralmente domina uma região. Um novo modelo computacional está ajudando pesquisadores a entender o motivo, e isso poderá traçar um caminho para tratamentos mais efetivos contra o câncer.

Usando algoritmos matemáticos, uma equipe de pesquisadores desenvolveu uma nova simulação 3D que descreve como um tumor vai de uma série de tipos de células perigosas (representadas na figura por cores diferentes) até uma massa maligna composta por milhões de mutações cancerígenas.

O modelo, publicado na Nature, está reforçando algo que estudos de laboratório sempre mostraram: pequenos movimentos celulares dentro do tumor podem fazer a massa crescer rapidamente, ou até permitir que ele volte mesmo depois da quimioterapia.

Um tumor é como um ecossistema cujo equilíbrio natural saiu de controle, onde tipos celulares com vantagens ambientais florescem sem controle. Mas quando médicos lançam radiação sobre estes tecidos, ou quando eles dão medicamentos ao paciente, eles geralmente não conseguem matar todas as células de uma vez. Infelizmente, a pequena porcentagem que sobrevive são normalmente as mais resistentes às drogas e rapidamente retornaram ao tumor depois do tratamento.

Ao ilustrar a complexidade da progressão do câncer, o novo modelo pode futuramente nos levar a tratamentos que miram nas células cancerígenas mais ruidosas e móveis. O modelo também serve para ilustrar que a ciência consegue transformar até os dados das piores doenças em algo bonito de se ver. [University of Edinburgh News via Engadget]