A presença de água em Marte era mais que uma suspeita: acredita-se que, no passado, o planeta vermelho tinha um oceano. Mas uma nova pesquisa sugere que muitas evidências de água na verdade vieram de lava. Isso diminui a chance de encontrar resquícios de vida em Marte.

Antes, cientistas achavam que camadas de argila encontradas em Marte se formaram ou interagindo com água parada, ou com água que surgia de fendas hidrotermais.

De uma forma ou de outra, a presença de umidade levou pesquisadores a sugerir que a vida em Marte era uma possibilidade certeira.

Mas uma nova análise de meteoritos sugere que a argila pode ter se formado quando lava rica em água se resfriou. Espere, “lava rica em água”? Pois é. De acordo com a ScienceNews:

Alguns meteoritos de Marte contêm minerais de argila compostos de isótopos de hidrogênio [que são] característicos de água vinda do manto de Marte, transportada em lava – não da atmosfera ou da superfície – sugerindo que a lava rica em água produziu parte da argila marciana.

Como Alain Meunier, chefe do estudo, diz à AFP: “Para cristalizar, a argila precisa de água – mas não necessariamente de água líquida”.

Então pesquisadores da Universidade de Poitiers, na França, compararam minerais de Marte com os minerais formados no atol de Mururoa, na Polinésia Francesa, formados após resfriamento de lava rica em água. E os dois são muito semelhantes.

Esta teoria tem peso porque algumas camadas de argila em Marte têm centenas de metros de espessura. Portanto, há uma boa chance delas terem se formado com o fluxo de lava, não através do solo interagindo com a água. A pesquisa foi publicada na Nature Geoscience.

Claro, a pesquisa não nega a existência de água em Marte, só aponta que o planeta era menos habitável do que antes supomos. Isto significa que a descoberta, se correta, torna a vida em Marte um pouco menos provável. Se o Curiosity tiver sorte, ele nos trará mais novidades direto de Marte – afinal, a função dele é encontrar resquícios de vida no planeta vermelho. [Nature via New Scientist, ScienceNews e AFP]

Imagem por NASA