Uma tecnologia para monitorar a atividade estomacal, que foi abandonada na década de 1990, está ganhando vida nova com o auxílio de hardwares mais modernos, e seu uso poderá eliminar a necessidade de exames com sondas ou até mesmo uma visita ao hospital.

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Chamada de eletrogastrografia – uma espécie de eletrocardiograma (a tecnologia não-invasiva que monitora a atividade elétrica do coração) para o estômago – ela foi abandonada ao final do século passado por não funcionar muito bem como uma ferramenta de auxílio ao diagnóstico.

Agora, cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego tentam ressuscitar a antiga tecnologia utilizado novos e modernos hardwares e, principalmente, algoritmos.

A eletrogastrografia, ou EGG, monitora a atividade estomacal escaneando os sinais elétricos do estômago que controlam contrações gástricas — que devem oscilar em três ciclos por minuto em um corpo saudável.

Entretanto, apesar de ter sido utilizada durante a década de 1990, a eletrogastrografia recebia muito ruído dos adesivos sinalizados colados à pele do paciente e por contrações complexas do estômago – por isso ela é raramente utilizada nos dias de hoje.

Para solucionar as interferências, os cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego aumentaram o número de canais de um para 25 na versão de alta resolução do aparelho (a versão portátil da ferramenta recebeu oito canais).

Mas além do hardware, a nova versão da eletrogastrografia recebeu também algoritmos que removem o ruído elétrico, isolando os verdadeiros sinais do estômago.

Desta forma, um médico gastroenterologista pode rapidamente identificar os sinais e oferecer um diagnóstico mais preciso, rápido e personalizável, explica Armen Gharibans, primeiro autor do estudo, à IEEE Spectum. “Até então, era bem difícil precisamente medir os padrões elétricos da atividade estomacal de uma maneira contínua, fora de um ambiente clínico”, diz.

Além de facilitar exames médicos, este novo modelo de eletrogastrografia pode ser vestido por um longo período por um paciente ou atleta que precisa aperfeiçoar a dieta alimentar, ou ainda, por pacientes com doenças específicas, como a diabetes, que sofrem de problemas digestivos secundários.

A versão portátil da ferramenta, com oito canais, e o app para celular que sincroniza com o dispositivo para adequar os sinais elétricos do estômago com refeições, movimentos intestinais e outros eventos gastrointestinais.

Durante os estudos, os pesquisadores fizeram testes do novo sistema de alta resolução com 11 crianças e os resultados foram muito precisos.

No entanto, críticos questionam se os dados são viáveis ou até corretos, apontando que contrações gástricas costumam ser muito genéricas, dificultando a sua identificação por uma ferramenta de diagnóstico.

Como resposta, os cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego estão agora testando 25 adultos com transtornos digestivos – e os resultados têm sido promissores, mostrando correlações entre os sinais elétricos e problemas específicos de dores abdominais, inchaço e azia.

Os resultados dos testes e a conclusão do estudo podem estar um pouco longe, mas este parece ser o início do fim dos invasivos exames gastrointestinais.

[Engadget via IEEE Spectum]

Imagens: Universidade da Califórnia em San Diego