Seja uma série de reticências ou uma notificação explícita do tipo “alguém está digitando”, o recurso de mensagem conhecido como “indicador de digitação” é uma ferramenta útil e uma fonte de ansiedade para muitas pessoas. Mas saber mais como funciona pode pelo menos limitar o achismo sobre ele, que é causa de estresse para muitas pessoas.

“Oi”, escreve seu chefe no Slack ou no serviço de mensagem que você utiliza, e então parece que ele estava digitando por 10 minutos. O que será que ele estava digitando? O que está acontecendo? Será que ele digitou uma frase, teve que sair para fazer outra coisa e essa coisa fica parecendo que você será demitido? Talvez.

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Ou seu chefe digita “precisamos conversar” e o indicador de que alguém está digitando aparece e depois desaparece do nada. Será que ele está reconsiderando o que disse? Ele está constantemente apagando o que ele escreveu para no fim dizer “não gosto de você” de forma mais clara possível? Provavelmente.

Como muitas pessoas que trabalham em escritório atualmente, minhas interações com colegas de trabalho são feitas via Slack, um serviço relativamente conhecido de mensagens (mas essa funcionalidade do “fulano está digitando” se estende para outras plataformas, como o Skype ou até mesmo o WhatsApp). Fora do trabalho, uso diferentes apps de mensagem para manter contanto com amigos e familiares, e eu odeio chamadas telefônicas. Sempre tem alguém digitando. E como a maioria das pessoas, não penso muito sobre o que está sendo digitado a não ser que possa ter consequências — chega a um ponto que fico neurótico com a situação.

MSN Messenger, o precursor

Para tentar reduzir minha paranoia, contatei David Auerbach, um engenheiro de software e autor que começou como estágiário na Microsoft quando tinha 22 anos e passou a trabalhar em período integral na empresa em 1999. Ele fazia parte da equipe que trabalhou no MSN Messenger Service, e ajudou a implementar o primeiro indicador de digitação em um produto de grande escala.

A primeira coisa que eu quis saber era se a Microsoft tinha a patente do indicador de digitação que todo mundo paga para usar. Ele disse que com certeza deve ter alguma patente, mas que ele duvida que alguma empresa esteja licenciando. “A forma como empresas de tecnologia funciona é que tudo é patenteado, mas dificilmente existe cobrança — é mais como um mecanismo de destruição mútua”, explica. A ideia de que Microsoft poderia processar o Facebook pelo uso de uma patente faria, por exemplo, com que o Facebook retaliasse a Microsoft com processo envolvendo a violação de outras patentes.

Só no ano passado, a Microsoft patenteou uma novo indicador “melhorado” de digitação com algumas mudanças cosméticas. E tem uma série de pequenas patentes relacionadas à inserção de conteúdos no teclado que provavelmente poderia causar uma grande confusão no mundo da tecnologia.

Quando os engenheiros da Microsoft decidiram adicionar o indicador de digitação no Microsoft Messenger Service, era um tempo em que protocolos de adaptação de comunicação em tempo real ainda estavam sendo testados e emojis eram algo que viria nos próximos anos. Mas a notificação servia para um propósito mais prático do que em humanizar a comunicação: permitia você saber que a pessoa com quem você interagia ainda estava por lá.

“No tempo da conexão discada, alguém que estava desconectado poderia aparecer online, pois a desconexão levava um tempo para ser registrada”, disse Auerbach. Esse mecanismo para manter a conexão deu aos usuários um outro sinal de que eles não estavam ficando no vácuo. Era mais uma fonte de conforto do que antecipação nervosa.

Claro, o mundo no qual vivemos hoje em dia é meio que dado que todo mundo esteja conectado a todo tempo. Podemos ignorar quando alguém manda algo do tipo “ei, olha só o que acabei de receber” e só responder após dois dias, mas sabemos que a pessoa sabe que recebemos, mas não não deu para responder na hora. Além disso, mais pessoas usando chats online significa que é necessário uma espécie de “policial de trânsito”, e é essa a maior utilidade atual dos indicadores de digitação. Quando 10 pessoas estão em um grupo ou 100 funcionários de uma empresa estão interagindo, o indicador de digitação ajuda a percebermos quando é hora de interagir ou se vale interromper alguém.

No caso na implementação inicial do recurso na Microsoft, a memória de Auerbach é um pouco confusa sobre o que aconteceu, mas ele acredita que a notificação de que alguém estava digitando era ativada quando alguém tocava uma tecla e a notificação ficava ativa por cinco ou 10 segundos. Se nada mais fosse teclado após cinco ou 10 segundos, o indicador não iria mais mostrar que havia alguém digitando. Até onde ele conseguiu se lembrar, essa era a única função — saber se um usuário estava digitando ou não — e a funcionalidade “Jane inseriu um texto” veio posteriormente.

Na maioria das vezes notificar aos usuários que alguém “inseriu um texto” — significando, que eles escreveram algo, mas pode não estar ativamente digitando — não é muito usado atualmente como era há uns anos. O que nos leva a questionar se um serviço está simplesmente dizendo que alguém está digitando algo quando simplesmente incluiu um texto e parou. Nós não podemos dizer de forma definitiva que nenhum serviço usa tal sistema idiota atualmente, mas é muito improvável. Não só seria irritante, mas, voltando ao tempo de Auerbach na Microsoft, a equipe estimou que 95% das mensagens que passavam pelos servidores eram mais a repetição constante do que alguém digitando. Apenas 5% das mensagens eram, de fato, a comunicação finalizada enviada ao usuário.

Critérios de plataformas de mensagem

Infelizmente, o fato de que todo o serviço não esteja no padrão da Microsoft significa que todo mundo tenda a criar seus indicadores de digitação de forma distinta. Provavelmente levaria mais tempo para explicar as formas em que cada serviço de mensagem do Google lida com o recurso que ninguém leria. Mas só para ficar em alguns exemplos, o Slack nos enviou uma explicação de como eles lidam com os indicadores de digitação. Ela aparece quando:



Alguém digita (assim que você digitar, mas não se você clicar na caixa de texto)
Quando eles não estão usando algum comando com barra (algum comando que comece com /)
Quando eles não estão escrevendo atalhos de teclado (como Ctrl + [ para navegar entre canais)

Se um usuário para de digitar por 5 segundos, o Slack remove o indicador que estão digitando.

O Slack mostra os seguintes templates de mensagem:
“Jane está digitando” (um usuário)
“Jane e John estão digitando” (dois usuários)
“Várias pessoas estão digitando” (três ou mais usuários) — o blog do Slack foi batizado em homenagem a esse indicador

É importante notar que você pode desligar o indicador de digitação no Slack.

No que diz respeito às outras plataformas, elas parecem funcionar de forma parecida. O Facebook não deu tantos detalhes na resposta deles, mas a funcionalidade é bem simples, como nos disse Hany Barakat, gerente de engenharia do Messenger.

Você só verá um indicador de digitação quando uma pessoa estiver ativamente digitando, então não vai mostrar algo se uma pessoa simplesmente estiver na caixa de texto e não estiver ativamente se engajando na conversa.

Não vai mais aparecer se a pessoa parar de digitar.

Nossos testes mostram que o indicador de digitação aparece no Messenger assim que um caracter é digitado, mesmo se o caractere seja um espaço, e o indicador desaparece de cinco a 10 segundos depois, se você não digitar mais.

A Apple não respondeu à nossa solicitação de informação, mas em nosso teste informal mostrou que o indicador de digitação aparece assim que um caractere é digitado,. Leva cinco segundos para desaparecer se você apagou um texto e 60 segundos para desaparecer, se você parar de digitar. A notificação aparece também se você estiver carregando uma imagem, mesmo antes de enviá-la.

Em nossos testes informais no WhatsApp, ao digitar um caractere, ainda que seja um espaço, o app mostra a notificação. Ele demora menos de 5 segundos após você parar de digitar para deixar de exibir a notificação. Enquanto se está mandando arquivos, ele não mostra que está digitando. Infelizmente, não é possível desativar a opção.

Auerbach não se arrepende do indicador de digitação, mas entende que a funcionalidade tem uma função diferente em nossa vida estressante em que fazemos muitas tarefas simultâneas. Ele acredita que todo serviço deveria ter a opção de desligar e que o recurso não deveria estar presente em todas as plataformas. “Essa é a típica função que tornaria o Twitter ainda pior”, disse. Pelo amor de Deus, Twitter, nem considere essa ideia.