Agora que oficialmente engoliu a maior parte das vendas no varejo online, a Amazon também está procurando maneiras de controlar nossas compras no “offline”. De acordo com uma reportagem do Wall Street Journal nesta quinta-feira (19), a gigante do comércio eletrônico tem planos para abrir “várias” lojas físicas em diversas cidades nos Estados Unidos.

Os primeiros estados que devem receber os novos espaços da Amazon seriam Ohio e Califórnia. Cada ambiente foi planejado em um tamanho médio, com quase três mil metros quadrados. Isso é menor que a maioria das lojas do Walmart nos EUA, mas muito maiores que os comércios físicos que a Amazon possui hoje no território estadunidense. Os produtos fabricados pela própria Amazon, como Kindles e dispositivos Echo com Alexa, ficariam expostos em vitrines, ao lado de outros mercadorias de “marcas de consumo”.

Pessoas familiarizadas com o assunto disseram ao jornal que os estabelecimentos ajudariam a Amazon a “estender seu alcance em vendas de roupas, utensílios domésticos, eletrônicos e outras áreas”. É uma jogada inteligente, mas que também acabaria sendo um pesadelo de privacidade para uma empresa que semanalmente é exposta por violações dessa característica.

Essa seria mais uma investida da Amazon para ampliar sua participação no mundo real. Em 2015, a empresa começou a fazer experiências com pequenas livrarias: primeiro em Seattle e depois para algumas outras cidades dos Estados Unidos. No caso das livrarias, as vendas foram estagnando a cada ano, até que a companhia optou por juntá-las aos espaços maiores. A mesma dificuldade foi enfrentada pelos quiosques em pontos movimentado — 87 unidades foram fechadas em um único dia por não atenderem às expectativas de venda da varejista. E as lojas do Amazon Go Grocery também tiveram o fatídico destino de serem encerradas.

O que me parece é que, embora a Amazon venha fazendo testes com diferentes tipos de espaços físicos, a palavra de ordem na varejista é dominar todos os canais de venda, sejam eles online ou no mundo real. No momento, a maior parte do dinheiro arrecadado no mundo offline, ao menos dos EUA, vem das inúmeras cadeias de supermercados controladas pela Amazon. Só que a companhia não deve parar por aí: há rumores que a varejista vai apostar na venda de itens de moda, produtos de higiene básica e até na criação de farmácias.

Amazon x privacidade

Inaugurar lojas de departamento também poderia ajudar a Amazon a competir com Google e Facebook, que juntos dominam mais da metade da receita bilionária de anúncios digitais. A Amazon vem logo em terceiro lugar, mas detém apenas 10% do montante total. Nos últimos anos, essa porcentagem vem crescendo rapidamente, e muito disso está relacionado aos dados dos usuários e à privacidade (ou falta dela).

A Amazon sempre coletou dados de seus compradores e vendedores, mas foi só mais recentemente que adotou uma estratégia mais agressiva para atrair anunciantes. E isso funcionou, porque a Amazon ofereceu o que outras plataformas não podiam: dados sobre cada compra, cada pesquisa e cada lista de desejos de cada cliente.

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Agora, tudo indica que esses dados serão usados no mundo real. Notícias anteriores mostraram que a empresa não tem medo de coletar o máximo possível de informações das pessoas, mesmo que elas não comprem nada. A Amazon sabe por onde você está navegando na internet, os itens que você coloca no carrinho e se suas compras foram influenciadas por um anúncio que você viu no site da própria Amazon. Também sabe a frequência que você compra alimentos, se você é vegetariano e se pode estar com poucos ovos esta semana, entre outras coisas. Ao mesmo tempo, imagine o pesadelo envolvendo privacidade com tantos dados.