Na sexta-feira passada (9), a Comissão Federal de Comunicações (FCC) autorizou que a Amazon crie dispositivos com sensores de radar que funcionam a partir de gestos ou movimentos, sem precisar obrigatoriamente de comandos de voz. Além disso, os aparelhos podem ser capazes de rastrear nosso sono se ficarem posicionados a uma certa distância.

Segundo a Amazon, esses aparelhos disparariam ondas de rádio de alta frequência para mapear os movimentos de qualquer pessoa nas proximidades. “Ao registrar o movimento em um espaço tridimensional, um sensor de radar pode capturar dados de uma maneira que permite o controle do dispositivo sem precisar tocá-lo. Como resultado, os usuários podem interagir com o gadget e controlar seus recursos por meio de gestos e movimentos simples”, escreveu a empresa.

Esse tipo de controle de dispositivo sem toque pode ser de grande utilidade para consumidores com deficiência ou idosos que não podem falar com a Alexa via comandos de voz. Por conta disso, um dos prováveis locais em que o aparelho poderá ficar posicionado é na cabeceira ao lado da cama, principalmente porque um dos recursos do dispositivo é rastrear o sono.

E por que pedir autorização para a FCC? Porque esta é o órgão responsável pelo policiamento de ondas de rádio, o que obrigou a Amazon a obter permissão da agência antes de começar a vender o tal dispositivo. A Bloomberg informou que a FCC arquivou um memorando que autorizava a gigante do comércio eletrônico a desenvolver e implantar um “dispositivo de radar não licenciado”, destinado a rastrear qualquer movimento nas proximidades.

Graças a essa concessão, a Amazon tem carta branca para lançar uma nova versão do Echo que permitirá definir alarmes ou desligar sua TV ao balançar a cabeça ou acenar com a mão, por exemplo. Ou ainda — e esperamos que isso se concretize — com o uso de linguagem de sinais.

Quanto ao recurso de rastreamento de sono, a Amazon afirma que “esses dispositivos permitiriam aos usuários estimar a qualidade do sono com base nos padrões de movimento”. “O uso de sensores de radar no rastreamento do sono pode melhorar a conscientização e o gerenciamento da higiene do sono, o que, por sua vez, pode produzir benefícios significativos para a saúde”, completou.

A questão da privacidade (e outras coisinhas mais)

Apesar da lista cada vez maior de questões de privacidade e segurança embaladas com Echos e Alexas, já vimos que esses produtos podem mudar a vida de pessoas cegas, em cadeiras de rodas ou que possuam algum tipo de acessibilidade. A Amazon tem feito o possível para tornar esses dispositivos igualmente acessíveis para pessoas surdas ou com problemas de fala, mas não há muito o que fazer quando essas ferramentas são baseadas em voz.

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Outra preocupação é que dispositivos que rastreiam o sono por meio de radares próximos nem sempre trazem dados consistentes — em alguns casos, completamente errados. Contudo, isso parece ser um problema mais relacionado à tecnologia adotada pela indústria de aparelhos para sono, que não possui sistemas padronizados. Os próprios documentos que a Amazon enviou à FCC são confusos e não trazem uma proposta mais concreta de como esses sensores poderão ajudar os usuários.

Em todo o caso, a Amazon parece que voltará seus esforços para esse tipo de funcionalidade, podendo, assim, rivalizar com outras empresas, como Google e Apple. No início deste ano, o Google lançou uma nova versão do Nest Hub que traz um sensor integrado capaz de medir o movimentos e a respiração do usuário sem que ele precise de um dispositivo vestível complementar ou câmera.