A Amazon planeja implementar novas máquinas de empacotamento em seus armazéns que poderiam eliminar 1.300 empregos nacionalmente, segundo a agência de notícias Reuters. Coincidência ou não, a Amazon também anunciou nesta segunda-feira (13) que está lançando um novo programa para incentivar alguns de seus funcionários dos centros de distribuição a pedirem demissão e criarem seu próprio empreendimento entregando produtos da Amazon.

A nova máquina, chamada “Carton Wrap 1000” e produzida pela fabricante italiana CMC Machinery, foi desenvolvida para criar caixas customizadas e embalar encomendas automaticamente, como pode ser visto no GIF abaixo. A máquina calcula as dimensões dos produtos, dobra o papelão, corta nas medidas da caixa, imprime o rótulo de envio e encaminha cada pacote para entrega.

A expectativa é que as máquinas Carton Wrap cheguem a 55 armazéns dos Estados Unidos, removendo aproximadamente 24 trabalhadores de cada local, segundo a Reuters. Os novos equipamentos podem montar caixas a uma velocidade 4 a 5 vezes maior que um humano.

“Nós estamos testando essa nova tecnologia com o objetivo de aumentar a segurança, acelerar o tempo de envio, e melhorar a eficiência da nossa cadeia”, declarou um porta-voz da Amazon ao Gizmodo. “Nossa expectativa é que a economia de eficiência seja re-investida em novos serviços para nossos consumidores, onde novos empregos continuarão sendo criados”.

A Amazon frequentemente minimiza as demissões em seus armazéns porque a empresa adquiriu milhões de dólares em benefícios fiscais dos governos locais ao longo dos anos com a promessa de que estaria criando empregos.

A companhia também anunciou que vai lançar um novo programa para encorajar os atuais funcionários de seus armazéns a deixarem seus empregos e começarem um negócio próprio realizando a entrega de encomendas para a Amazon. A iniciativa, uma expansão do chamado programa de “Parceiro de Serviços de Entrega”, vai oferecer aos atuais empregados o equivalente a três meses de salário e até US$ 10 mil para gastos da empresa na criação do que a Amazon chama de uma “startup” de entrega de encomendas.

Para onde iria os US$ 10 mil investidos? Ex-funcionários que querem abrir sua startup podem alugar vans e uniformes com a marca Amazon. Eles não teriam mais direito ao novo salário mínimo de US$ 15 da Amazon e nem a benefícios de saúde.

O Gizmodo questionou a Amazon qual era o objetivo da empresa em trazer os funcionários atuais para o programa em vez de incentivar pessoas externas. A companhia alegou que a iniciativa é uma extensão do seu trabalho de “empoderar” seus funcionários.

“A Amazon tem um longo histórico de programas para empoderar seus colaboradores a perseguirem suas aspirações de carreira e estamos animados em lançar essa nova iniciativa exclusivamente para nossos funcionário para que possam dar o próximo passo em suas carreiras e construam seu próprio negócio de entrega”, afirmou Amanda Ip, gerente de relações públicas da Amazon, ao Gizmodo. “Líderes bem-sucedidos pensam grande, preferem agir, e entregar resultados em nome de seus consumidores”.

A Amazon tem tentado expandir sua rede de entrega para oferecer um serviço mais rápido em áreas em que oferece entregas no mesmo sai ou no dia seguinte, mas também está tentando competir com o serviço postal norte-americano UPS.

Mas, espera aí, você deve estar se perguntando, isso não é apenas uma tática da Amazon para se livrar da responsabilidade por seus funcionários de entrega e, em vez disso, criar um exército de pessoas que parece que trabalham para a Amazon, utilizam veículos e uniformes da empresa, mas que na verdade não possuem vínculo empregatício com a companhia? Sim, e a empresa já tem usado esse tipo de estratégia há muito tempo.

Nós mal podemos esperar pra eles lançarem essa ideia no espaço.