Os cientistas descobriram evidências de um sistema estelar que pode prever o nosso próprio destino.

Quando estrelas que não são massivas o suficiente para terminar sua vida útil em uma supernova envelhecem, elas se transformam em gigantes vermelhas que eventualmente expulsam sua camada externa de matéria. Isso deixa para trás um cadáver estelar quente chamado anã branca, que pesa um pouco menos que o Sol, mas com apenas uma pequena fração do seu raio. Este provavelmente será o destino do nosso próprio Sol. Mas como estará o nosso sistema solar nesse ponto e o que acontecerá com os planetas? Talvez a resposta esteja em uma nova observação que representa a primeira evidência de um exoplaneta gigante em torno de uma anã branca.

Os cientistas já começaram a detectar discos de poeira ao redor de anãs brancas, bem como evidências de corpos rochosos chamados planetesimais. Desta vez, pesquisadores do Reino Unido, Chile e Alemanha examinaram mais de perto o que eles pensavam ser um par de anãs brancas em um sistema chamado J0914 + 1914. Este par foi encontrado pela primeira vez em uma amostra de 7.000 anãs brancas coletada pelo Sloan Digital Sky Survey. Mas os comprimentos de onda da luz proveniente do sistema revelaram materiais que normalmente não seriam encontrados apenas em um par de anãs brancas ou mesmo em torno do subconjunto de anãs brancas “poluídas” que mostram evidências de material caindo sobre elas.

A equipe analisou o sistema usando um espectrógrafo chamado X-Shooter no VLT (Very Large Telescope) do Observatório Europeu do Sul no Chile. Esses resultados revelaram uma abundância de hidrogênio, além de evidências de oxigênio e enxofre, que a estrela está absorvendo mais do que quaisquer outros elementos. Esses elementos são normalmente encontrados nos planetas gigantes de gelo em nosso próprio sistema solar, Netuno e Urano.

Combinados com os rastros do movimento do gás, os pesquisadores pensaram que a melhor maneira de explicar suas observações era um planeta gigante orbitando perto da anã branca, a apenas 10 milhões de quilômetros de distância, e sendo destruído até virar um disco de gás, de acordo com o artigo publicado na Nature.

Talvez esse sistema de anã branca comedora de exoplanetas tenha a aparência de nosso próprio sistema solar no futuro: a anã vermelha progenitora se expande, engolindo os planetas internos e deixando para trás apenas os planetas gigantes de gelo. Mas pelo que sabemos sobre esse exoplaneta, ele deveria estar muito perto de sua estrela para sobreviver à expansão inicial. “O planeta pode ter migrado para lá depois que a gigante vermelha se dispersou”, disse Boris Gänsicke, primeiro autor do estudo da Universidade de Warwick, ao Gizmodo.

“Este artigo é empolgante porque relata a detecção de uma composição muito incomum em uma estrela anã branca”, disse Johanna Teske, pós-doutoranda na Carnegie Institution for Science, ao Gizmodo por e-mail. Ela também disse que os autores fizeram um trabalho completo ao descartar outras possíveis interpretações de seus dados. Mas ela diz que ficou surpresa com o fato de o artigo não conter informações sobre a luz ultravioleta emitida pelo sistema, já que esse é o comprimento de onda mais comumente usado para estudar anãs brancas.

E, claro, essa é uma detecção indireta. Gänsicke disse ao Gizmodo que sua equipe solicitou um tempo no telescópio espacial Hubble para procurar mais evidências de um planeta orbitando esta anã branca. E talvez o planeta tenha uma cauda detectável semelhante a um cometa, disse ele.

Esta é apenas uma anã branca. O satélite Gaia descobriu 230.000 anãs brancas, muitas das quais também podem estar “poluídas”.

“Existe o potencial de não apenas descobrir anãs brancas mais poluídas, mas talvez descobrir uma variedade mais ampla em suas composições”, disse Teske. Talvez mais desses sistemas revelem que eles também contêm sobras de planetas gigantes gasosos.

Talvez um dia nosso sistema solar se junte a essa amostra.