Estudos com inteligência artificial têm se tornado cada vez mais comuns, inclusive na área da medicina, com pesquisadores sugerindo que a tecnologia é capaz de superar médicos humanos ao diagnosticar pacientes com base em exames de imagens. No entanto, uma nova pesquisa decidiu investigar melhor como foram conduzidos estudos desse tipo e alerta para os riscos de tal afirmação.

Liderada por Myura Nagendran, da Imperial College London, a equipe analisou 10 anos de pesquisas que comparam algoritmos de deep learning com médicos especialistas. Dentre os 83 estudos considerados elegíveis, eles encontraram apenas dois que foram publicados e utilizaram testes randomizados. Além disso, apenas seis dos 81 estudos não-randomizados foram conduzidos em um cenário clínico real, enquanto apenas nove monitoraram os participantes ao longo do tempo.

Em relação aos resultados, a equipe descobriu que dois terços dos estudos analisados tinham alto risco de serem tendenciosos e que estavam abaixo dos padrões de pesquisa. O acesso a dados e códigos estava indisponível em mais de 90% dos casos, por exemplo, sendo que apenas 38% dos artigos reconhecia a necessidade de mais pesquisas futuras.

O número de médicos que participaram dos testes no grupo de comparação era de apenas quatro, em média, o que também indica uma amostra muito pequena.

Diante disso, a equipe de Nagendran alerta que afirmações de que a inteligência artificial é capaz de superar médicos humanos pode resultar em um cuidado inapropriado, colocando muitas pessoas em risco.

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