Para pesquisadores especializados nos hábitos dos povos antigos, alguns aspectos sobre o consumo de vinho dos romanos já estavam sacramentados.

Como, por exemplo, a forma democrática que era consumida bebida –disponível não apenas para aristocratas e imperadores, mas também para escravos, camponeses, homens e mulheres.

No entanto, como era produzido e preservado, era um grande segredo. Agora, um estudo publicado na revista científica “PLOS ONE” coloca luz sobre esse mistério.

Os autores analisaram três ânforas romanas de 1.500 anos (jarras usadas para transportar vinho) que foram retiradas de um depósito no fundo do mar encontrado em San Felice Circeo, cerca de 88,5 km a sudeste de Roma.

A pesquisa, liderada pela química Louise Chassouant, da Universidade de Avignon, na França, fez uma análise química do conteúdo de dentro das ânforas.

O estudo descobriu que usavam pinho para criar uma espécie de alcatrão impermeabilizante e  revestir o interior dos frascos. Mas também especulou que isso poderia ter sido feito para dar sabor às uvas em fermentação. Ou seja, havia mais de um ingrediente no vinho romano e isso dava um toque diferente à bebida.

Outra descoberta que chamou a atenção foi o fato de os jarros conterem sinais de carvão e resina proveniente de um pinheiro do sul da península itálica.

Embora os pesquisadores não possam ter certeza sobre todas as conclusões a que chegaram em seu estudo, eles foram capazes de ir mais longe por causa da variedade de métodos interdisciplinares usados ​​para desvendar a composição química do que resta nesses frascos.

Isso significa combinar conhecimentos químicos e botânicos com outros registros históricos e arqueológicos, além de estudos anteriores em jarros de vinho como esses –indo além da análise química para investigar a história dos artefatos.