Empresas como Nintendo e Sony se contentam em colocar um punhado de jogos em uma caixinha para lucrar com a nostalgia gamer. A Analogue, por sua vez, tem se concentrado em deixar mais fácil a vida de retrogamers que querem curtir todos os seus clássicos favoritos nas TVs modernas. Até agora, a empresa tinha focado na Nintendo, mas seu novo Mega Sg é o primeiro console para fãs da Sega.

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Nós brincamos um pouco com os consoles anteriores da Analogue, incluindo o luxuoso Analogue Nt, todo de alumínio, que roda jogos de NES, e o Super Nt, que traz de volta à vida jogos de SNES. Nenhum deles era tão barato quanto os consoles da Classic Edition da Nintendo, mas cada um entregava uma experiência fantástica e modernizada, conseguindo fazer com que os jogos pixelados da nossa juventude ficassem absolutamente bonitos em alta definição.

O fim de todos os consoles retrô da Sega?

O maior apelo do novo Mega Sg é que os fãs da Sega não precisam desembolsar os mesmos US$ 640 (US$ 190 do Super Nt + US$ 450 do Nt mini) para satisfazer suas vontades nostálgicas. Por US$ 190 (R$ 707, em conversão direta), o Mega Sg vai oferecer suporte para vários videogames clássicos, incluindo o Mega Drive (também conhecido como Sega Genesis), o Master System, o velho Sega SG-1000 e o portátil Game Gear, além de jogos do Sega CD com um acessório. O console roda jogos de Mega Drive nativamente e de Master System com um adaptador incluso; para os outros sistemas, ele usa adaptadores de cartucho vendidos separadamente.

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Se você está se perguntando por que o Mega Sg custa tão mais caro que todos os outros consoles tudo-em-um da Sega que você viu online por menos de US$ 50, que vêm com jogos inclusos, é porque há diferenças consideráveis por dentro de cada um. As soluções mais baratas geralmente usam emuladores de fontes duvidosas — softwares que fingem ser os eletrônicos e o hardware que você encontraria nos consoles originais. Eles geralmente têm pouco poder de processamento (para manter os custos baixos), o que resulta em uma experiência bem diferente daquela que você se lembra dos videogames originais.

Softwares com problemas técnicos e taxas de quadros diminuídas são questões que você aprende a ignorar, mas jogos emulados da Sega são famosos por seu áudio ruim, como demonstra esse vídeo. Christopher Taber, fundador da Analogue, é ainda mais contundente na hora de criticar o desempenho dos consoles da Sega existentes no mercado.

Como você sabe, todos os outros sistemas de Genesis / Mega Drive no mercado são um completo lixo. O áudio é uma porcaria, há incompatibilidades, o design industrial e a qualidade de fabricação e de projeto industrial é horrível. As opções para jogar com os cartuchos originais da Sega são péssimas.

Vale lembrar que, há cerca de dois anos, a Tectoy lançou no Brasil um novo Mega Drive, inspirado no modelo original de 1988. Ele não usa emuladores, mas a empresa desenvolveu circuitos parecidos. O som, porém, continua como uma das maiores críticas ao aparelho.

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Para o Mega Sg, o desenvolvedor da Analogue Kevin “Kevtris” Horton passou mais de um ano criando um circuito integrado customizado do tipo field-programmable gate array (FPGA, ou arranjo de portas programáveis em campo, em tradução livre) que funciona e se comporta como o hardware e os processadores que equipavam os consoles originais da Sega. É a mesma abordagem que a empresa usou para o Super Nt e seus outros clones.

Nós não chegamos a testar o Mega Sg ainda, então ainda precisamos ver se o novo FPGA da Analogue finalmente resolve as questões de som da Sega. A empresa, porém, tem um ótimo histórico até aqui, e parece determinada para criar o console retrô definitivo da Sega para que o Sonic finalmente fique excelente na sua TV.

O novo controle sem fio M30, da 8BitDo, tem uma aparência familiar para os devotos do Mega Drive

Existe outro motivo para deixar de lado os emuladores e tirar da gaveta suas fitas de Mega Drive. O Mega Sg ainda funciona com seus controles originais, com fio e cheios de farelo de salgadinho.

A Analogue também se juntou com a 8BitDo para criar um novo controle chamado M30, que tem curvas semelhantes ao do original do Mega Drive, mas funciona sem fios. Ele custa US$ 25 e é recarregável, incluindo um adaptador de 2,4GHz para você não precisar depender do Bluetooth.

O Mega Sg estará disponível em quatro opções de cor, incluindo uma toda branca.

Ao contrário dos primeiros consoles da Sega, que adotaram o preto para aparentar mais ousadia que os aparelhos coloridos da Nintendo, o Mega Sg estará disponível em quatro cores diferentes, incluindo uma caixa toda branca.

Para aqueles que perderam sua coleção de fitas da Sega em alguma faxina ou que têm uma coleção grande de ROMs (todas de jogos que você comprou, claro!), a Analogue confirma que o Mega Sg pode ser atualizado, usando firmware não oficial, para rodar esses jogos usando o slot de cartão SD do console.

Imagens: Analogue