Está vendo este monociclo elétrico aí em cima, com ares de ficção científica? É o RYNO, uma alternativa futurista ao Segway que parece ter vindo do ano 2114. E eu andei nele.

O engenheiro autodidata Chris Hoffmann começou a trabalhar no conceito do RYNO em 2006, quando sua filha de 13 anos desenhou uma lambreta de uma roda que ela viu em um videogame. Ela perguntou se ele poderia construí-la. Agora, cerca de seis protótipos depois, o RYNO está pronto para chegar às ruas.

Basicamente, o RYNO é um Segway evoluído que perdeu uma roda. Assim como ele, o RYNO é controlado pela posição do corpo do condutor: incline para a frente e acelere; incline para trás e pare. Também como o Segway, o RYNO se equilibra em pé quando está parado. Quando fui subir nele, o veículo se balançou para manter meu centro de gravidade equilibrado diretamente sobre o eixo. Com apenas uma roda, o equilíbrio nas laterais é com você.

Ele tem uma roda grande, usando um pneu com 240 mm de largura, normalmente encontrado em motos da Harley-Davidson. Há uma alavanca de freio à direita, embora ela não funcione da maneira que você imagina (mais sobre isso em breve). Virar o guidão gira o assento, o que parece completamente estranho quando ele está parado. E não há outros controles: a posição do corpo faz o resto.

Por instinto, você não se inclinaria para a frente em uma máquina com uma roda, mas Chris me garantiu que sua criação não me deixará cair no chão. Aos poucos, eu movi minha cabeça em direção ao guidão, e comecei a me locomover. Já em movimento, esse comando estranho com o corpo de repente parece estranhamente natural. Você se inclina para virar e, de alguma forma, o movimento muda de uma reta para um arco suave.

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Claro, se você já andou bastante de bicicleta ou moto, algumas peculiaridades do RYNO vão pegar você de surpresa. Para frear, nós temos o hábito de apoiar um pé no chão, inclinando o veículo para o lado. Mas se você fizer isso no RYNO, ele começa a fazer uma curva. É melhor ficar nas pedaleiras, quase parar, e então colocar ambos os pés no chão. Ao contrário de muitos meios de transporte com duas rodas, o RYNO é baixo o suficiente para colocar os pés no chão sem incliná-lo.

E então temos a alavanca de freio na sua mão direita. Apertando-a, ela empina o nariz do RYNO em alguns graus. Isso o inclina para trás, apenas o suficiente para dizer ao giroscópio que você quer desacelerar. Ele, então, começa a frear o veículo. Isso ensina novatos a frear o RYNO, o que é meio contra-intuitivo no início: pela primeira vez, eu esperava ser inclinado para a frente, não para trás. Mas, depois da primeira parada, tudo começa a fazer sentido.

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Esse é o tema geral de andar no RYNO: ele é completamente intuitivo, depois que você abrir mão de seus hábitos em duas rodas. Tudo parece maluco até você entender a lógica por trás.

Após cerca de cinco minutos, todo o processo começou a parecer natural. Como está frio aqui em Nova York, não pude fazer um longo passeio, mas Chris disse que a maioria das pessoas aprendem o básico depois de uns 15 minutos, e dominam tudo em apenas alguns dias.

Depois que seu cérebro se adapta, o RYNO responde muito bem aos comandos – e eu nunca esperaria dizer isso de um monociclo. O mérito é da composição do veículo: há motores e controladores duplos, três giroscópios, duas baterias removíveis e o cérebro de computador dentro da roda de 18 polegadas. Com o centro de massa entre suas pernas, e um software que reage instantaneamente a todas as suas inclinações, o RYNO parece quase impossível de derrubar no chão.

Este sou eu, andando todo duro na minha primeira viagem no RYNO, enquanto Chris corria ao meu lado, para eu não derrubar a criação dele no rio East congelado.

Com uma carga de seis horas, o RYNO anda até 16 km; em breve, teremos baterias opcionais que garantem até 50 km de autonomia. A velocidade máxima é de 16 km/h, o que parece lento, mas isto coloca o RYNO na mesma categoria regulamentar como o Segway – ou seja, ele é permitido em passarelas de pedestres, ciclovias, e dentro de casa. Chris diz que você não seria bom ir muito mais rápido que isso. “Eu já fui a 24 km/h nele, e parece que você está voando. Não há nada à sua frente. É como voar em um tapete mágico.” Todo o equipamento pesa cerca de 70 kg, pode transportar 120 kg de piloto e carga, e tem 5 cavalos de potência.

E então chegamos a um número mais alto: US$ 5.300, o preço para entrar no clube RYNO, na pré-venda com envio em abril. Isso está no mesmo patamar do Segway básico, que chega a uma velocidade máxima levemente mais alta, e com autonomia maior.

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Então para quem é o RYNO? Chris diz que policiais e seguranças adoram as dimensões pequenas e assento baixo de seu veículo, colocando o piloto ao nível dos olhos dos pedestres. Agricultores, coordenadores do eventos ao ar livre, quem vai ao trabalho de bicicleta, e amantes de gadgets vêm manifestando interesse. Em outras palavras, quase as mesmas pessoas que o Segway visava.

Os Segways, RYNOs e similares não vão superar pedestres e ciclistas tão cedo. O Segway, em particular, teve um começo muito lento. Mas, sendo o primeiro do tipo, o Segway cresceu bastante, abrindo um mercado para veículos de mobilidade pessoal e também as leis que os distinguem de carros e motos. Agora que esses obstáculos foram superados, e com mais ciclovias e zonas de pedestres aparecendo em grandes cidades, há mais lugares onde veículos como estes fazem sentido. Talvez concorrentes como o RYNO deem um gás para este mercado.

Se há uma coisa que pode tornar o RYNO um sucesso, é o estilo. Ficar em pé num Segway é visivelmente estranho. Mas o RYNO faz você se sentir muito mais durão do que qualquer lambreta elétrica por aí. [Ryno]

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Fotos e vídeo por Nicholas Stango