Você se lembra da primeira vez que andou de bicicleta (sem rodinhas)? Da sensação de estar flutuando pelo parque, se sentindo a mais habilidosa criança que já pisou na Terra? Mesmo tendo seis ou sete anos, eu me lembro bem. Mas também lembro da primeira vez que conectei meu computador na internet, com aqueles sons bizarros de conexão discada, há uns 15 anos. Hoje, segundo uma pesquisa da AVG feita com crianças de 2 a 5 anos, a segunda artimanha parece ser mais conhecida do que a primeira.

A pesquisa feita em 10 países entrevistou 2.200 mamães desesperadas com o excesso tecnológico e constatou números perigosos: 58% das crianças – repito, de 2 a 5 anos – já sabem jogar joguinhos no PC, mas só 20% delas sabem nadar, 52% andam de bicicleta e apenas 11% amarram o cadarço. E habilidade motora não é desculpa: 69% delas sabe de cor como usar e abusar do mouse e já mexem num computador.

E, convenhamos, isso não é nenhuma surpresa. Apesar de a geração dos anos 80 e 90 terem seus videogames e televisores, grande parte das diversões e do conhecimento ainda estava nas ruas, fora de casa. Mas após o boom da internet como conhecemos hoje, a sensação é de que nada pode ser mais amplo e divertido do que estar online. Mesmo para crianças. Telas brilhantes, excesso de movimentos e jogos pulando pela tela combinam com a já típica ansiedade infantil.

O resultado da pesquisa da AVG alerta os pais a continuarem orientando seus filhos a usar computadores e afins mas que tenham o cuidado de mostrá-los que ainda há muita vida fora da sala do computador. As crianças estão aprendendo habilidades de computador antes de habilidades da vida. Algo parece estar errado. [AVG Digital Diaries series via UOL, imagem via]