Um anfíbio de um grupo conhecido como Ceciliano foi encontrado pela primeira vez na Flórida. A criatura foi capturada em 2019, no Canal C-4 (ou Tamiami), pelo Florida Fish and Wildlife. Sua aparência é o que mais intriga, já que sua pele é lisa e lembra uma cobra.

Cientistas do Museu de História Natural da Flórida usaram testes de DNA para identificar o espécime como sendo o Typhlonectes natans, um nativo da Colômbia e Venezuela. Eles caçam e vasculham vários tipos de pequenos animais, os especialistas dizem que é muito cedo para prever seu impacto potencial no ecossistema local.

Sabe-se que o animal pode crescer mais de meio metro, mas ainda não há tantas informações sobre ele. “Muito pouco se sabe sobre esses animais selvagens, mas não há nada particularmente perigoso sobre eles, e eles não parecem ser predadores sérios”, disse o herpetologista Coleman Sheehy, da Universidade da Flórida, ao Sciencealert. “Eles provavelmente comem animais pequenos e serão comidos por animais maiores. Esta poderia ser apenas mais uma espécie não nativa na mistura do sul da Flórida.”

O que os especialistas sabem sobre os cecilianos é que muitas vezes eles passam muito tempo no subsolo ou em água doce. Eles também podem parecer caçadores formidáveis. Ainda assim, têm uma visão muito fraca, daí o nome – ‘cecilianos’ se traduz em ‘cegos’ em latim.

Foi descoberto recentemente que os bichos têm glândulas de veneno semelhantes a cobras – os únicos anfíbios que as possuem – e eles podem, de fato, ser o animal mais antigo em termos evolutivos com uma picada venenosa.

Desde o primeiro avistamento, em 2019, mais relatos de criaturas parecidas chegaram do sul da Flórida. O trabalho de campo no canal é planejado para descobrir quão difundidas essas espécies podem estar nas águas. “Neste ponto, realmente não sabemos o suficiente para dizer se eles estão estabelecidos no Canal C-4”, disse Sheehy. “Isso é o que queremos descobrir.”

As condições  do local, porém, seriam adequadas para os animais: a espécie Typhlonectes natans vive entre a vegetação aquática em corpos de água rasa que são quentes e lentos.

Tecnicamente falando, os animais já estiveram nos Estados Unidos antes, mas não recentemente: 170 milhões de restos fossilizados de anos de idade foram encontrados no sudoeste americano, mas até a nova descoberta, nenhum descendente sobrevivente foi encontrado.

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Quanto a como os cecilianos chegaram à Flórida, essa é outra questão sem resposta – mas dado que Typhlonectes natans é o tipo mais comum no comércio de animais de estimação e pode procriar em cativeiro, Sheehy acha que o espécime recém-identificado pode ser um animal de estimação que alguém não deseja. “Isso não estava no meu radar”, diz Sheehy. “Não achei que um dia encontraríamos um ceciliano na Flórida. Foi uma grande surpresa.