Pouco mais de três anos depois do rompimento da barragem em Mariana, Minas Gerais — o maior desastre da história da mineração —, o estado volta a ser pano de fundo para uma tragédia do tipo. Uma barragem da Vale em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, se rompeu nesta sexta-feira (25), causando grande estrago na região com o mar de lama que se soltou.

As imagens veiculadas desde ontem na imprensa são fortes, mostrando animais que ficaram atolados no lamaçal e equipes de resgate trabalhando para salvar algumas das pessoas atingidas.

Na manhã deste sábado (26), autoridades disseram que dois corpos foram resgatados durante a madrugada, além de 183 pessoas que estavam ilhadas. Até o momento, ao menos nove pessoas morreram e 299 estão desaparecidas segundo os últimos números revelados. A Vale afirma que 412 funcionários ou profissionais terceirizados não puderam ser contatados.

Os motivos por trás do rompimento da barragem ainda são desconhecidos, porém, em entrevista ao UOL, Fábio Braz Machado, presidente da Sociedade Brasileira de Geologia, revelou a sua hipótese: uma combinação de tremores de terra e problemas na conservação das instalações.

Os trabalhos de resgate devem durar semanas, e existe o temor de que a tragédia supere a de Mariana no número de mortos — o incidente de 2015 matou 19 pessoas.

O antes e depois da região onde se rompeu a barragem de Brumadinho dão uma boa ideia do tamanho do estrago.

A Agência Nacional de Águas (ANA) estima que o mar de rejeitos pode ser amortecido na Barragem da Usina Hidrelétrica do Retiro Baixo, a 220 quilômetros de distância do local de ruptura inicial, e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) garantiu que o rompimento não afetará o abastecimento de água na região metropolitana de Minas Gerais.

Romeu Zema, governador do estado, anunciou a criação de um gabinete de gestão de crise para avaliar o incidente, enquanto a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais determinou a suspensão das atividades da Vale em Brumadinho. O presidente Jair Bolsonaro, depois de dizer que a questão da Vale nada tinha a ver com o governo federal, por sua vez também criou um conselho e um comitê para averiguar os desdobramentos da tragédia.

A tragédia em Mariana em 2015, com o estouro de um reservatório de rejeitos da Samarco, que tem como uma de suas controladoras a Vale, até hoje não viu encerramento na Justiça. As famílias afetadas pelo rompimento ainda esperam por reparação.

[UOL, G1]