Dois anos atrás, o Facebook admitiu ter inflado as métricas de visualizações de vídeos na plataforma. Agora, um novo arquivo público, pertencente a um processo que anunciantes movem contra a empresa, afirma que a companhia escondeu por mais de um ano o fato de que pouquíssima gente estaria assistindo aos anúncios em vídeo no site.

• Facebook bane 810 páginas e contas americanas que falavam de política, mas não revela detalhes
• Facebook diz que hackers acessaram informações confidenciais de 29 milhões de usuários

O caso do grupo de anunciantes que se autointitula “LLE One” contra o Facebook começou em 2016 e atualmente está em um tribunal federal em Oakland, na Califórnia. Os reclamantes alegam que as ações do Facebook “chegam ao nível de fraude e podem justificar danos punitivos”.

Eles dizem que o Facebook sabia do problema antes do que alega e que isso resultou em um impacto bem maior do que o relatado pela companhia. “As métricas médias de visualização não foram infladas apenas em 60%-80%; elas foram infladas entre 150%-900%”, dizem os advogados do grupo.

A correlação óbvia, e apontada aqui pelos advogados, é que o Facebook escondeu os números reais pois sabia que, uma vez que os anunciantes soubessem as cifras verdadeiras, retirariam seus anúncios da plataforma.

“O Facebook não quis atrair escrutínio para seus números de visualização porque sabia que a maioria dos anúncios em vídeo em sua plataforma era vista por períodos muito curtos de tempo — os usuários passavam por eles e seguiam rolando a página. Se os anunciantes estivessem mais amplamente cientes desse fato e, particularmente, se soubessem que seus anúncios estavam entre aqueles que não estavam atraindo a atenção dos espectadores, eles estariam muito menos propensos a seguir comprando anúncios em vídeo do Facebook.”

O Facebook responde às acusações dizendo que encaminhou uma moção para dispensar as alegações de fraude. “As sugestões que, de alguma forma, tentamos ocultar esse problema de nossos parceiros são falsas. Contamos a nossos clientes sobre o erro quando o descobrimos, e atualizamos nossa central de ajuda para explicar o problema”, disse uma porta-voz da companhia, em comunicado reproduzido pelo Business Insider.

Só para relembrar a origem do caso, em setembro de 2016, o Facebook informou ter notado o erro nas suas métricas e disse ter se mexido rápido para consertá-lo.

“Encontramos um erro na maneira como calculamos uma das métricas de vídeo em nosso painel — a duração média de vídeo visualizado. A métrica deveria ter refletido o tempo total gasto assistindo a um vídeo dividido pelo número total de pessoas que reproduziram o vídeo. Mas ela não fez isso — ela refletiu o tempo total gasto assistindo a um vídeo dividido apenas pelo número de ‘visualizações’ de um vídeo (ou seja, quando o vídeo foi assistido por três ou mais segundos)”, afirmou David Fischer, um dos vice-presidentes do Facebook.

Entretanto, a ação do LLE One afirma que, em junho de 2016, em resposta a anunciantes que reclamavam da porcentagem média de vídeos visualizados, um engenheiro do Facebook escreveu que “não houve progresso na tarefa por um ano”, relatando o problema na métrica por meses, enquanto seguia uma estratégia de não divulgar o ocorrido.

A próxima audiência está marcada para 14 de dezembro, em Oakland, e, até lá, vai saber quais são as novas alegações que o LLE One trará. Com a atenção que o caso ganhou agora, o Facebook precisará de pontos fortes.

[ArsTechnica, Business Insider]

Imagem do topo: AP