Em fevereiro deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo tratamento para o câncer hematológico (originado em células do sangue). O método utiliza células CAR-T do próprio paciente, que são modificadas em laboratório para combater os tumores. 

Fruto de 12 anos de pesquisa, a técnica também foi aprovada nos Estados Unidos, União Europeia e Japão. No Brasil, ela pode custar até R$ 2 milhões, o que deve impedir que a imunoterapia chegue ao Sistema Único de Saúde (SUS). 

De toda forma, vale saber mais sobre ele. O Kymriah (tisagenlecleucel), da empresa Novartis Biociências, não é considerado um medicamento. Ele funciona da seguinte forma: primeiro, células T (defesa do sistema imunológico) são retiradas do paciente e enviadas para um laboratório nos EUA. Lá, elas passam por uma modificação genética, tornando-se aptas para combater o câncer. 

Depois de todo esse processo, o produto retorna pronto para ser injetado nos pacientes. O novo tratamento é indicado para pessoas de até 25 anos com Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) e adultos com Linfoma Difuso de Grandes Células B (LDGCB).

Em entrevista à Rádio USP, Vanderson Rocha, pesquisador da Faculdade de Medicina da USP, disse que pesquisadores da USP Ribeirão Preto já estão trabalhando em um produto próprio com o objetivo de baratear o processo. De acordo com Rocha, o produto poderia ser usado não só para o câncer no sangue, mas também outras doenças como lúpus e fibrose cística.