A disputa entre o Blue Origin de Jeff Bezos e o SpaceX de Elon Musk atingiu novos níveis de mesquinhez na última quarta-feira (8). Isso porque uma carta apresentada pela Amazon à Comissão Federal de Comunicações explicou os planos de Musk para expandir sua crescente rede de satélites.

“Quer seja o lançamento de satélites com antenas não licenciadas, o lançamento de foguetes sem aprovação, a construção de uma torre de lançamento não aprovada ou a reabertura de uma fábrica em violação a um pedido de abrigo no local, a conduta da SpaceX e de outras empresas lideradas por Musk torna sua ver claramente: as regras são para outras pessoas”, diz a carta. O documento foi escrito por C. Andrew Keisner, o principal advogado da subsidiária Kuiper Systems da Amazon – rival de longa data do projeto Starlink de Musk.

Na corrida para lançar satélites de baixa órbita, o Starlink está claramente na liderança. A empresa já começou a usar sua rede de cerca de 1,7 mil satélites para oferecer conectividade à Internet para dezenas de milhares de pessoas em todo o mundo através de um programa beta, enquanto os planos atuais de Kuiper são de lançar seus primeiros satélites em 2023.

A força motriz por trás da atual rixa é que a Starlink quer colocar ainda mais satélites em órbita antes mesmo de Kuiper colocar o pé na porta. Em maio de 2020, a SpaceX solicitou uma licença com a FCC para lançar outros 30 mil satélites em altitudes ainda mais baixas do que seu conjunto atual, a fim de aumentar a capacidade da rede. A Amazon se opôs não muito depois, dizendo à FCC que o plano da SpaceX de circundar a Terra com satélites em duas configurações diferentes estava “em desacordo com as regras da comissão e com as políticas públicas”.

Elon Musk respondeu com um tweet sarcástico, seguido pela SpaceX apresentando sua própria refutação com a FCC na semana passada. A carta chamava a atenção para o péssimo hábito da Amazon de dominar quase tudo que toca, dizendo que as reclamações de Bezos não passavam de uma “continuação dos esforços da família de empresas Amazon para atrapalhar os concorrentes”.

Corte direto para a carta desta semana, onde a Amazon classificou a resposta da SpaceX como uma “resposta superaquecida a um argumento incontroverso”, acrescentando que a empresa parecia favorecer “desinformação, ataques ad hominem e uma crença de que pode influenciar os reguladores via mídia social”.

“Esse caminho vai demorar mais e incomodar muitos, mas com certeza levará ao mesmo lugar”, diz a carta. “A abordagem vem de um manual familiar a qualquer regulador diante da infeliz tarefa de aplicar imparcialmente suas regras à SpaceX: não conceda nada, ignore as regras sempre que possível e, quando tudo o mais falhar, calunie aqueles que as invocam.”

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Em muitas maneiras, essas supostas táticas podem soar familiar para quem segue os problemas legais de Musk e de uma empresa conhecida por usar brechas fiscais ou colocar o trabalhador em condições ruins.

Entramos em contato com Starlink e Kuiper para comentar sobre o processo e atualizaremos aqui quando tivermos uma resposta.