Uma pesquisa sugere que o apêndice, considerado por muitas pessoas um órgão inútil, talvez sirva para o importante propósito de aumentar a imunidade e agir como um “lugar seguro” para bactérias intestinais úteis.

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O apêndice é um órgão que confundiu cientistas durante séculos. O famoso biólogo Charles Darwin especulava que nossos distantes antepassados primatas o usavam para digerir folhas, afirmação que se estabeleceu como a principal hipótese. Perdendo sua importância no ponto de vista da sobrevivência, o apêndice passou a desaparecer no nível genético, e de vez em quando incomoda as pessoas na forma de apendicite.

Mas nem todo mundo acredita que o apêndice é completamente inútil. Em 2007, uma equipe de biólogos da Universidade Duke propôs que o apêndice serve como um “lugar seguro” para bactérias importantes. Um novo estudo publicado no periódico Comptes Rendus Palevol mostra evidências para tal afirmação, revelando que o apêndice é um órgão importante que evoluiu de forma independente diversas vezes no reino animal.

Ao traçar a história evolutiva de animais com apêndice, os pesquisadores conseguiram ligar o antes órgão digestivo com o seu papel de órgão imunológico secundário e como repositório para microorganismos valiosos.

Heather F. Smith, professora de anatomia da Midwestern University Arizona College of Osteopathic Medicine, analisou 533 espécies diferentes de mamíferos procurando a presença ou ausência do apêndice, e descobriu que ele surgiu separadamente mais de 30 vezes.

Curiosamente, ela descobriu que uma vez que o apêndice aparece numa espécie, quase nunca ele desaparece por completo. Isso sugere que o órgão manteve sua finalidade adaptativa – que pode ter surgido como uma função secundária, uma vez que o órgão perdeu sua função original.

Trabalhando com os pesquisadores do Centro Médico da Universidade Duke, Universidade de Stellenbosch na África do Sul e do Museu Nacional de História Natural na França, Smith descobriu que espécies com apêndice tendem a ter maiores concentrações de tecidos imunológicos (na forma de tecido linfóide) no ceco (uma bolsa que conecta o intestino grosso e delgado).

A descoberta sugere que o apêndice é um órgão imunológico secundário. Além disso, o tecido linfático pode estimular o crescimento de alguns tipos de bactérias benéficas, oferecendo mais evidências de que o órgão é de fato um lugar protetor de bactérias intestinais úteis.

Para aqueles que tiveram o apêndice removido após uma apendicite, não há com o que se preocupar. A maioria das pessoas sem um apêndice são saudáveis, mas é possível que algumas funções imunológicas tenham diminuído. Alguns estudos sugerem que pessoas sem apêndice possuem taxas maiores de infecções do que a população geral. Como contou Smith à revista Time, “também pode ser que leve um pouco mais de tempo para se recuperar de uma doença, especialmente aqueles em que as bactérias intestinais benéficas foram liberadas pelo corpo”.

Tirar o apêndice não é o fim do mundo, mas, considerando sua função, você provavelmente estará melhor se mantê-lo aí dentro.

[Comptes Rendus Palevol]

Imagem: Skeeze/Pixabay.