Mesmo sabendo que é por uma boa causa, este aplicativo parece ter saído do filme Minority Report.

Pesquisadores da Universidade Dalhousie no Canadá desenvolveram um app para smartphone que rastreia a saúde mental de uma pessoa com base em como ela usa o aparelho, relata o site canadense CBC. A esperança é que, mantendo o controle dos pacientes fora do horário comercial, o aplicativo possa ajudar os profissionais médicos a adaptar as opções de tratamento para eles.

O app se chama PROSIT, e os testes dele começaram em fevereiro, de acordo com a doutora Sandra Meier, psicóloga do IWK Health Center e da Universidade Dalhousie. Atualmente, cerca de 300 pessoas estão usando o app, e metade delas são pacientes com alguma condição de saúde mental.

“Podemos descobrir se eles estão ansiosos ou deprimidos. É incrível”, disse Meier à CBC. “Então você não precisa entender nada do conteúdo, basta ouvir as pessoas e você consegue saber o estado emocional delas pela maneira como falam.”

Para avaliar a saúde mental de um usuário, o aplicativo rastreia informações em 15 categorias diferentes, usando sensores existentes no celular do usuário. As categorias incluem quanto uma pessoa tem dormido, com que frequência se exercita, seu histórico de chamadas e registros de mensagens, tempo de uso do aparelho e preferências musicais.

Mesmo a maneira como uma pessoa digita pode ajudar o PROSIT a determinar seu estado mental, disse Rita Orji, cientista da computação da equipe de desenvolvimento do app, em entrevista ao site canadense.

“Quando as pessoas estão emotivas, quando você está com raiva, você deseja enviar um texto emocional. Não apenas a velocidade da digitação muda, mas também a força que você aplica no teclado para digitar”, disse à CBC.

Além de monitorar todos esses dados, o PROSIT também se baseia em relatos dos usuários, que contam regularmente como estão se sentindo. Semanalmente, o aplicativo solicita que os usuários gravem e enviem um clipe de áudio de 90 segundos falando sobre a parte mais emocionante da semana. Também solicita periodicamente aos usuários que classifiquem suas emoções, dizendo classificando quão felizes e ansiosos estão em uma escala de cinco pontos.

Como você pode imaginar, usar o aplicativo requer clicar em “sim” para uma longa lista de solicitações de permissão, como visto em uma demonstração do site do PROSIT. Embora esses pesquisadores tenham indiscutivelmente intenções para os dados dos usuários melhores do que, digamos, um gigante da mídia social de bilhões de dólares, qualquer organização com tanto acesso ao telefone de alguém certamente fará com que os especialistas em privacidade fiquem de cabelo em pé.

“Nosso app levou em consideração a privacidade, a proteção e a segurança do usuário como o principal objetivo do design […] desde o início do design do aplicativo”, disse ela.

Antes mesmo de o desenvolvimento começar, o aplicativo foi avaliado de acordo com as diretrizes de ética da Universidade de Dalhousie, e todos os participantes devem assinar os formulários de consentimento antes de fazer o download. Qualquer dado coletado pelo PROSIT é criptografado e armazenado em um local seguro no IWK Health Center, disse Orji à agência canadense. E embora isso possa incluir os registros telefônicos de um usuário, a equipe não pode acessar o que está sendo dito nessas chamadas ou mensagens de texto.

“Quando falamos em rastrear suas chamadas ou SMS, na verdade não estamos rastreando o que você diz ou com quem fala”, disse Orji. “Na verdade, estamos apenas conhecendo a frequência com que você liga […] então, a maioria desses dados são de nível muito alto, que as pessoas se sentem à vontade em fornecer.”

Meier disse à CBC que, embora o PROSIT esteja longe de ser capaz de prever crises de saúde mental antes que eles aconteçam, o aplicativo provou ser uma ferramenta útil para psicólogos, que complementa, em vez de substituir, o tratamento de seus pacientes. Com o início da pandemia de COVID-19, o app também deu aos profissionais de saúde mental a possibilidade de monitorar seus pacientes em meio ao estresse de lockdowns e isolamento social.

Pessoalmente, não acho que meu psiquiatra precise saber quanto tempo passo desperdiçando no Twitter ou enviando vídeos de gatos fofos para meus amigos. Mas entendo como eles poderiam tirar algumas conclusões bastante contundentes dessas informações.

[CBC]