A Apple está contrariando a estratégia de outras empresas de tecnologia, como Facebook e Google, em relação aos planos relacionados à pandemia do novo coronavírus. De acordo com uma reportagem da Bloomberg, a empresa da maçã planeja ter seus funcionários de volta aos escritórios ainda neste ano.

Facebook e Google informaram aos funcionários que estenderão as políticas de trabalho de casa até pelo menos o final de 2020 (embora as políticas para os terceirizados de ambas as empresas sejam significativamente menos flexíveis).

Segundo a Bloomberg, como parte da primeira fase de reabertura, a Apple já trouxe de volta alguns trabalhadores cujas funções não podem ser realizadas remotamente ou que estão tendo problemas para desempenhar suas tarefas a partir de casa em algumas regiões. A empresa informou aos funcionários que as principais localidades começarão a ser abrangidas pela política no final deste mês ou em junho.

A Apple também teria dito aos funcionários que espera que possam voltar aos escritórios em todo o mundo a partir de julho – embora esses planos possam mudar de acordo com os status de emergência locais. Os gerentes da Apple começaram a informar aos funcionários em que fase da reabertura eles se encontram e se é esperado que eles estejam presentes diariamente ou apenas algum período de tempo. A maior parte dessas decisões se refere aos Estados Unidos, onde está a maior força de trabalho da companhia.

Os grupos de trabalhadores que provavelmente passarão a trabalhar presencialmente nessas primeiras ondas incluem aqueles focados no gerenciamento de data centers, implementação de software, vendas e testes e desenvolvimento de hardware – este último que exige acesso aos laboratórios da Apple para que o trabalho prossiga normalmente.

Os desenvolvedores de software da Apple provavelmente retornarão mais tarde, pois seu trabalho pode ser realizado remotamente com muito menos problemas.

Na semana passada, a Apple disse que estava iniciando o processo de reabertura de algumas lojas dos EUA em áreas que havia determinado que era seguro realizar negócios com precauções, como checagem de temperatura e número limitado de clientes dentro dos espaços. Essas reaberturas permitiriam que alguns clientes cujos aparelhos ficaram parados nas estações de reparos desde março pudessem pegar seus dispositivos. Mas também despertaram a preocupação de que a empresa está atropelando a resposta dos EUA ao coronavírus, já que reaberturas limitadas de negócios em outros países resultaram em novos picos nos casos.

A Apple se recusou a comentar, de acordo com a Bloomberg.

A administração de Donald Trump, assim como alguns governadores estaduais e autoridades locais do país, têm pressionado para abrandamento das ordens de fechamento e distanciamento social, já que o ambiente econômico tem se deteriorado significativamente – apesar dos avisos de especialistas em saúde, incluindo o membro da força-tarefa do coronavírus da Casa Branca e o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, Dr. Anthony Fauci, de que a abertura muito rápida poderia desencadear mais ondas de casos.

Fauci disse aos membros do Senado nesta terça-feira (12): “Minha preocupação é que se algumas áreas – cidades, estados ou o que seja – saltarem sobre esses vários pontos de controle e se abrirem prematuramente, sem ter a capacidade de serem capazes de responder de forma eficaz e eficiente, minha preocupação é que vamos começar a ver pequenos picos que podem se transformar em surtos.”

“Há um risco real de você desencadear um surto que talvez você não seja capaz de controlar, o que, na verdade, paradoxalmente, irá colocá-lo de volta às restrições, não só levando a algum sofrimento e morte que poderiam ser evitados, mas pode até atrasar o caminho para tentar obter a recuperação econômica”, acrescentou Fauci.

O administrador do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, Dr. Robert R. Redfield, também disse durante a audiência de terça-feira que “Ainda não estamos fora de perigo, mas estamos mais preparados”.