Durante muito tempo, o iPad era a coisa mais sem graça da Apple. Nunca cumpriu sua promessa de revolucionar a mídia e salvar as revistas. Além de realmente não mudar a forma como jogamos os games móveis. Certamente não parecia um bom investimento. Nos primeiros oito anos de existência do iPad, minha principal exposição foi em cafeterias com caixas registradoras baseadas em tablets. Mas recentemente, a Apple fez algo sutil, mas notável: ela me convenceu a comprar um.

Eu devo ser mais transparente aqui e explicar que, apesar do que acabei de dizer, eu já tive um iPad uma vez. A Apple não me convenceu a comprar ele, no entanto.

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Minha ex-namorada o comprou porque estávamos saindo de férias e achou que ele seria ótimo para ler. Eu vendi o maldito negócio assim que nós voltamos. Era um iPad 2, e era pesado demais para segurar por longos períodos de tempo e a tela era simplesmente uma porcaria em comparação com a tela do meu iPhone. Se tornou um dos meus maiores arrependimentos de compra, especialmente por eu ter pego de volta apenas uma fração do meu dinheiro.

Mas agora apareceu um que parece exatamente o mesmo iPad de antes, com apenas uma diferença crucial: você pode usar uma maldita caneta digital. Mais especificamente: você pode usar um Apple Pencil.

O Apple Pencil é uma daquelas invenções que Steve Jobs jurou que nunca faria, mas não muito depois de sua morte, os colegas de trabalho de Jobs acabaram fazendo mesmo assim. Essa caneta muito boa, segundo a Apple, é precisa e intuitiva o suficiente até para um artista.

Claro, você consegue comprar canetas digitais de terceiros como a 53 Pencil ou a Adonit Mark, mas sempre gostei do formato familiar e da ponta rígida do Apple Pencil. Eu não sou um artista, mas gostaria de usar um iPad como uma espécie de aproximação da Wacom para algumas ilustrações no trabalho e talvez até mesmo para um esboço rápido de vez em quando. Também sou bem ciente que os produtos da Apple quase sempre funcionam melhor com outros produtos da Apple. E também sou ciente do fato de o Apple Pencil custar US$ 100 (no Brasil, a Apple Pencil custa R$ 729)  adicionais ao “pacote”

Então, como alguém que gosta de fazer um pequeno desenho às vezes, sempre achei que gostaria de ter um iPad e um Pencil, porque detesto borrachas e papéis são fáceis demais de perder ou danificar. Na verdade, acredito que meu hábito de desenhar às vezes pode ser um exercício diário de alívio de ansiedade se eu tivesse as ferramentas certas. (Eu sei que isso soa um pouco bobo, mas estou falando sério). O problema é que você precisa de um iPad Pro caro de mais para usar o Pencil. Quer dizer, até agora.

[Nota do editor: antes, para usar a Apple Pencil, era necessário ter um iPad Pro — no Brasil, o preço desse produto começa em R$ 4.999 — agora, é possível usar com o novo iPad, cujo preço parte em R$ 2.499]

O grande anúncio da Apple sobre educação centrou-se na ideia de que as escolas deveriam comprar um iPad para cada aluno para uma melhor aprendizagem, e para melhorar o negócio até o iPad mais barato a partir de agora funcionaria com o Apple Pencil. O dispositivo de US$ 330 (no Brasil, começa em R$ 2.499, tornando-o o iPad mais barato — ou menos caro — disponível na loja virtual da Apple) – ou US$ 300 se você for professor ou aluno nos Estados Unidos – tem o mesmo preço e jeitão de forma da geração anterior, mas recebeu algumas boas melhoras, como a atualização do processador A9 para o A10 Fusion. Isso ainda significa que o iPad Pro é mais rápido com seu chip A10X Fusion – mas não muito mais.

Imagem: Divulgação/Apple

Ambos os dispositivos apresentam qualidade de tela Retina semelhante, vida de bateria semelhante e pesos semelhantes. O iPad Pro só é especial agora porque tem o Smart Connector para aqueles teclados super maneiros, câmeras melhores para aqueles tontos que tiram fotos com um iPad além de 4GB de RAM.

Esse último detalhe pode ser significativo. Com apenas 2GB de RAM, o novo iPad mais barato vai ter problemas com tempo de carregamento e vai dar pau se você executar muitos aplicativos ao mesmo tempo.

Especificamente, você está limitado a executar apenas dois aplicativos lado a lado na mesma tela com o iPad mais barato, em vez dos três que você pode rodar com um iPad Pro. Então, isso não significa que você terá que fechar aplicativos se estiver usando vários, por exemplo, entre o Mail, Agenda e Safari. A limitação aplica-se apenas ao uso do recurso multitarefa do iPad para executar mais de um aplicativo na tela de uma só vez. Mas 2GB deixa as coisas mais lentas.

Mesmo assim, esse iPad mais barato é até mais poderoso do que um iPhone 7, que é potente o bastante para mim. Eu também não tenho interesse em um iPad com multitarefa. Qualquer coisa além disso parece que seria confuso demais para mim, porque eu sinceramente gostaria de usar o negócio como um iPhone gigante.

Inevitavelmente, comparar o novo iPad com o iPad Pro é discutível na minha opinião. Eu nunca compraria um iPad Pro porque custa pelo menos US$ 650 (no Brasil, o mais acessível começa em R$ 4.999), e eu prefiro tirar férias com esse dinheiro todo. Por US$ 330 (R$ 2.499 no Brasil), no entanto, consigo me empolgar. Mas ainda parece metade do preço! Eu poderia pegar um Apple Pencil e fazer meus pequenos desenhos. Eu poderia levá-lo para a academia e assistir Netflix na esteira. Eu poderia até ler na cama sem forçar tanto os olhos.

Então, parabéns Apple, sua máquina de marketing multibilionária. Você me convenceu a comprar um iPad. Eu não recebi nenhum conselho externo sobre isso, e estou sinceramente ansioso em comprar um novo dispositivo. Se eu decidir que não gostei, levo ele de volta para a Apple Store. Se eu decidir que não gosto tarde demais, eu vendo ele. E eu definitivamente não vou perder tanto dinheiro quanto perdi da última vez.

Imagem do topo: Ilustração