A Apple finalmente reconheceu que a política de assinatura de conteúdo da App Store é ridícula e a reverteu, sem mais fazer exigências absurdas a quem vende conteúdo através dela. As regras pesadas de preço e compras in-app se foram.

As diretrizes da App Store eram bem rígidas, como já explicamos:

A Apple colocou três cláusulas que estragam tudo. Primeiro, você não pode colocar nenhum link no seu app para fazer assinatura digital através do site. Ou seja, um usuário comum do iPad, vendo apenas o botão de “Assinar”, em vez de ir visitar seu site vai preferir tocar no botão – e a Apple ganha mais com isso.

Segundo, se você tem app para iPad e vende assinatura pelo site, você é obrigado a vender assinaturas pelo sistema da Apple também. Ou seja, não dá pra escapar do sistema de assinaturas.

E mais: a assinatura via iPad tem que custar tanto quanto ou menos que a assinatura via seu site. Ou seja, nada de promoções “assine direto conosco e economize!” – a Apple proíbe isso.

As novas diretrizes mudaram isto, eliminando qualquer requerimento de oferecer o mesmo preço, e a exigência de oferecer assinaturas externas como compras dentro do app. Continua proibido, no entanto, colocar um link ou botão para assinar conteúdo fora do app:

Apps podem ler ou reproduzir conteúdo aprovado (especificamente revistas, jornais, livros, áudio, música ou vídeo) que seja assinado ou vendido fora do app, desde que não haja nenhum botão ou link externo no app para comprar o conteúdo aprovado. A Apple não vai receber nenhuma parte da receita de conteúdo aprovado que seja assinado ou adquirido fora do app.

Esta mudança surgiu logo depois de o Financial Times lançar um webapp em HTML5 para evitar os 30% que a Apple cobraria de toda assinatura feita através de um app nativo.

Agora, assinar conteúdo faz sentido para quase todos, tanto para quem consome conteúdo, como para quem o vende. Os consumidores estão livres para pagar pelo conteúdo da forma que quiserem – dentro do app ou fora – e quem vende conteúdo pode cobrar o quanto quiser, onde quiser.

A única parte descontente com a mudança são as revendedoras de livros, como a Amazon e a Barnes & Noble. Se eles quiserem que as pessoas comprem através dos seus apps, vão ter que pagar os 30% da receita à Apple. No entanto, isto não impede que a Amazon sincronize livros da web para seus apps no iPad e iPhone, sem passar pelos controles da Apple.

Isto significa que o preço de assinatura dentro dos apps vai aumentar? É possível, em alguns casos, para compensar a fatia que a Apple leva. Mas se as revistas e jornais quiserem se manter competitivos, eles provavelmente teriam que aguentar a perda de parte da receita nas vendas pela App Store, assim como todos os outros desenvolvedores.

É bom saber que a Apple reconhece quando falha, e que volta atrás em suas imposições de vez em quando. [MacRumors]