A Apple, que está tentando diversificar suas receitas com serviços enquanto a venda de eletrônicos vai ficando mais lenta, está trabalhando para lançar uma assinatura de serviço de notícias que faria os leitores terem acesso a conteúdos pagos por preço reduzido e compartilhar a receita com sites e jornais. No entanto, segundo uma reportagem do Wall Street Journal, muitos dos sites envolvidos na negociação não curtiram muito a novidade — especialmente, pelo fato de a Apple querer metade da receita arrecadada.

O serviço de assinatura tem sido chamado de “Netflix das notícias” com fontes dizendo ao WSJ que os negociadores da Apple pensaram em uma mensalidade de US$ 10 para acessar conteúdos ilimitados dos sites e jornais que participarem da iniciativa. A Apple ficaria com cerca de metade deste dinheiro, segundo fontes do Wall Street Journal, e o restante “iria para um grupo que dividiria entre sites e jornais baseado no tempo que os usuários se engajam com os artigos deles.”

Resumindo: parece que a Apple quer a metade e que os sites e jornais envolvidos briguem pelo restante.

O jornal norte-americano observa que o New York Times e o Washington Post estão hesitantes com os termos propostos, incluindo preocupações sobre o acordo de compartilhamento de receita e uma possível perda de controle sobre os dados dos assinantes do serviço:

New York Times e Washington Post estão entre os principais meios de comunicação que não concordaram com os termos para licenciar seus conteúdos para o serviço, em parte por causa de preocupações dos termos propostos, que não tinham sido divulgados anteriormente, segundo pessoas familiares com o assunto.

As conversas ainda estão acontecendo, e negociações com estes dois jornais podem ainda ser fechadas.

O próprio Wall Street Journal também tem preocupações sobre o serviço, mas conversas recentes com a Apple têm sido produtivas, como disse uma das fontes relacionadas com o assunto.

Outras preocupações incluem o fato de que a Apple quer que os sites e jornais façam parte do serviço por pelo menos um ano, e que alguns deles buscam acordos longos ou curtos, segundo as fontes do Wall Street Journal.

É claro que os jornais e revistas estão cautelosos por uma série de motivos. Um deles é que vários sites já se deram mal com o Facebook, que promoveu parcerias que não deram muito certo, como o Instant Articles. Apesar de distribuir um monte de conteúdo para usuários do Facebook, os sites e jornais viram os resultados de publicidade serem devorados pelo Facebook

Outra questão é que muitos sites e revistas já cobram US$ 10 mensais por uma assinatura — vendê-la por centavos de dólar e ainda dividir uma parte da receita com a Apple e outros meios de comunicação pode ser uma péssima decisão financeira.

Por exemplo, a adoção desse sistema da Apple pode reduzir a base de assinantes e dar mais poder para a empresa da maçã. Além disso, pode possibilitar que a audiência do serviço da Apple não seja muito grande, o que colocaria os sites e jornais em sério risco de compartilhar receita sem ter muito retorno. Tal parceria, como rolou com o Facebook, pode promover uma competição frenética por visualizações dentro do ecossistema da companhia. O Wall Street Journal ressalta que os três veículos de imprensa mencionados já têm acordo com a Apple e incluem alguns conteúdos gratuitos, no entanto, eles são muito mais generosos:

Os três veículos de imprensa já distribuem alguns dos seus artigos no Apple News, que leitores podem acessar gratuitamente. As empresas mantêm 100% da receita de publicidade que eles vendem. O serviço de assinatura da Apple expandiria dramaticamente o acesso a estes veículos, adicionando conteúdo que está atualmente por trás de paywalls.

Os usuários podem também assinar os veículos de imprensa por meio do Apple News; as organizações manteriam 70% da receita no primeiro ano e uma porção maior após este período.

Como nota o Verge, a demanda da Apple por acordos vorazes de compartilhamento de receita minou anteriormente os esforços da companhia no ramo de TV, que, aliás, a empresa decidiu levar adiante por conta própria. No entanto, a pressão é que a Apple consiga algum tipo de acordo, pois, segundo fontes ouvidas pelo BuzzFeed, existem planos para um evento sobre serviços que deve ser realizado em 25 de março.

[Wall Street Journal]