Tim Cook avisou nesta quarta-feira (2), que a Apple diminuiu a sua expectativa de receitas para o primeiro trimestre de 2019. Em outras palavras, a Apple deve ganhar menos do que previu anteriormente – além disso, a companhia culpa a China. Apesar do alerta, a Apple espera gerar apenas US$ 84 bilhões de receitas neste trimestre.

Sim, US$ 84 bilhões parece muito dinheiro, especialmente se considerarmos que a Apple estima seus custos operacionais trimestrais em cerca de US$ 8,7 bilhões. Apesar disso, se compararmos com a previsão anterior, é possível notar uma queda significativa (a projeção era entre US$ 89 bilhões e US$ 93 bilhões em receitas).

Esse rato alerta foi o suficiente para que as ações da Apple parasse de ser negociada após o horário comercial. Quando a negociação foi retomada 20 minutos depois, a queda registrada foi de mais de 7%. Em uma entrevista concedida à CNBC, publicada logo após o posicionamento aos investidores, Tim Cook culpou alguns fatores para a nova projeção.

“Se você olhar para os nossos resultados, nosso déficit é de mais de 100% do iPhone, e principalmente na China”, disse o CEO da companhia. “Está claro que a economia começou a desacelerar no segundo semestre, e acredito que as tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China pressionaram ainda mais a economia”.

Segundo Cook, a China e Trump são um pouco culpados pelo fato de a Apple não ganhar tanto dinheiro quanto o esperado. Essa questão foi aprofundada na carta enviada aos investidores, apontando que PIB da China desacelerou significativamente no segundo semestre de 2018, o que pode explicar uma redução nas vendas de iPhones no ano passado naquela região.

O executivo citou ainda “aumentos de preço devido ao dólar forte” – quase que uma admissão de que os aparelhos estão muito caros – e comentou também sobre o programa de substituições de bateria que aconteceu no ano passado, que reduziu de R$ 449 para R$ 149 após o episódio que revelou que a companhia diminuía a performance dos celulares conforme a bateria se degradava.

A companhia prevê que menos pessoas comprem iPhones e por isso eles têm um plano: transferência de foco para novas áreas de crescimento, como serviços assinaturas da Apple Music e outros). Cook ressaltou que outros produtos, excluindo o iPhone, “combinadas, [devem] crescer quase 19% ano após ano”.

Todo esse cenário não é uma grande surpresa. A companhia fez campanhas de marketing pesadas e até algumas promoções para aumentar as vendas dos iPhones durante o período de final de ano – ou seja, eles já estavam observando algum declínio.

É um sinal de que o modelo de negócios da Apple pode mudar caso as vendas dos iPhones não se recuperem. É um sinal também de que a companhia tem falhado em seus lançamentos e não tem deixado tantas pessoas animadas com um novo modelo.

Cook parece estar ciente da percepção de desaceleração na inovação dos produtos da marca e sabe também que as vendas têm caído. Em sua carta, o CEO disse: “A Apple inova como nenhuma outra empresa no mundo, e nós não estamos tirando o pé do acelerador”.

O que isso quer dizer? Cook não detalhou exatamente o que a Apple iria fazer em termos de novidades, mas disse isso:

Não podemos mudar as condições macroeconômicas, mas estamos empreendendo e acelerando outras iniciativas para melhorar nossos resultados. Uma dessas iniciativas é simplificar a troca de celulares em nossas lojas, financiar compras a prazo e oferecer ajuda para transferir dados do atual para o novo aparelho.

Portanto, a Apple não pode dobrar a economia global à sua vontade, mas vai facilitar a troca do seu telefone antigo por um novo e garantir que você não perca nenhum de seus contatos. O que é uma interpretação estranha de inovação, mas uma experiência mais agradável na Apple Store soa muito melhor do que um headset de realidade aumentada. Mais barato, também (para eles).