O que praticamente todo o mercado financeiro esperava se concretizou ontem. A Apple divulgou seus resultados no trimestre que acabou em dezembro de 2018, e as receitas da companhia caíram 5% quando comparadas ao mesmo período de 2017, de US$ 88,3 bilhões para US$ 84,3 bilhões. As receitas de iPhones caíram ainda mais: um tombo de 15% em relação ao trimestre setembro-dezembro de 2017, indo de US$ 61,1 bilhões para US$ 52 bilhões. O CEO Tim Cook já admite reduzir os preços dos iPhones em mercados emergentes.

Os números só não foram piores porque Macs, dispositivos vestíveis e serviços representaram recordes de receitas. As categorias trouxeram, respectivamente, US$ 6,7 bi, US$ 7,3 bi e US$ 10,9 bi para a companhia. Faz sentido, portanto, a informação de que a Apple vai investir em um serviço de streaming de séries e filmes.

Investidores já esperavam um desempenho mais fraco desde que a Apple anunciou que pararia de detalhar as vendas de produtos, o que foi entendido como um sinal de que as vendas não estavam indo bem. O próprio CEO da empresa, Tim Cook, escreveu uma carta no começo deste mês avisando que as receitas seriam mais fracas do que o esperado no último trimestre.

Em entrevista à Reuters, Cook disse que questões macroeconômicas atrapalharam a venda de iPhones, pois o dólar se valorizou demais frente a outras moedas, principalmente em mercados emergentes. “Decidimos voltar e ser mais condizentes com nossos preços locais de um ano atrás, na esperança de ajudar as vendas nessas regiões”, disse o executivo.

De fato, os números mostram que vendas na Europa e no Japão caíram e na China despencaram — o que faz sentido, já que há uma guerra comercial em curso entre os EUA e o gigante asiático.

O The Next Web, porém, chama a atenção para outros fatores: há 900 milhões de iPhones ativos ao redor do mundo, e os altos preços parecem ainda mais desajustados em países emergentes. O iPhone XS Max que custa US$ 1.110 nos EUA, por exemplo, não sai por menos de US$ 1.500 na Índia. Aqui no Brasil, ele custa a partir de R$ 7.999, o que dá, pela cotação de hoje, US$ 2.152.

Com tantos iPhones ainda sendo usados e com preços cada vez maiores, fica mesmo difícil vender novos celulares.

[Apple via Mashable e The Next Web]