Ao longo dos últimos meses, veio à tona o fato de que várias empresas de tecnologia contratavam empregados terceirizados para ouvirem gravações feitas por seus assistentes virtuais como forma de aperfeiçoar a compreensão de seus softwares de inteligência artificial. Entre elas, estava a Apple com sua Siri. A empresa divulgou que fará algumas mudanças nesse programa.

Em um comunicado divulgado nesta quarta-feira (28), a companhia explicou que fará três mudanças nos processos de revisão de áudios da Siri.

Em primeiro lugar, a Apple não vai mais manter gravações de áudio, mas vai continuar fazendo transcrições automáticas de interações com a Siri como forma de aperfeiçoar a assistente.

A empresa também desativará por padrão a revisão das gravações por humanos para melhorar sua assistente virtual. Quem quiser contribuir, poderá optar por isso nas configurações.

Por fim, terceirizados não serão mais autorizados a ter acesso às gravações, apenas funcionários da empresa, e a companhia promete fazer o possível para descartar ativações acidentais da assistente virtual.

As mudanças, entretanto, ainda não foram implementadas. Elas só estarão disponíveis na próxima atualização do sistema. Como observa o TechCrunch, todos os usuários que atualizarem serão excluídos do programa de revisões de áudio para aperfeiçoamento do serviços e só serão novamente incluídos se derem permissão explícita para isso.

Por enquanto, a Apple suspendeu a audição de gravações da Siri. A medida foi tomada no dia 2 de agosto, uma semana depois da publicação da matéria do jornal inglês The Guardian que revelava que terceirizados ouviam o que os usuários diziam à assistente digital. A pausa, de acordo com o comunicado, deve ser mantida por mais alguns meses.

Além disso, segundo os jornais Irish Times e The Guardian, 300 terceirizados que trabalhavam em um escritório em Cork, na Irlanda, foram dispensados. O número pode ser ainda maior, levando em consideração outros locais.

No comunicado, a empresa também pediu desculpas por não agir de acordo com seus ideais de tratar a privacidade como um direito humano.

[Apple, TechCrunch, Irish Times, The Guardian]