O Windows é meu sistema operacional de desktop padrão. É o software que tenho usado toda a minha vida, e sinto que “casei” com ele da mesma maneira que meu celular Android, que também tem sido minha plataforma de escolha desde o surgimento dos smartphones. Mas, apesar das diferentes maneiras de sincronizar os dois sistemas, seja em navegadores ou apps, sinto falta de ter um ecossistema interligado que usuários da Apple têm com Macs e iPhones.

Isso está prestes a mudar com a chegada do Windows 11. Com o anúncio do novo sistema na última quinta-feira (24), a Microsoft pode solucionar essa questão ao permitir que aplicativos Android, por meio da loja de apps da Amazon, funcionem no Windows. A novidade pode ser particularmente interessante para usuários Android que não estão dispostos a investir em um Chrome OS e ainda preferem o Windows.

Claro que não podemos afirmar com toda a certeza de que essa sincronização funciona perfeitamente, já que o Windows 11 ainda não foi lançado para usuários finais. No entanto, teremos um gostinho do que vem por aí na próxima semana, quando a plataforma entrar em fase de testes no Programa Insider.

Como apps Android funcionam no Windows 11

Microsoft e Amazon fizeram uma parceria para trazer o catálogo de aplicativos e jogos Android da Amazon para o Windows 11. Os apps serão listados na nova interface da Microsoft Store, embora você precise de uma conta da Amazon para fazer login e baixar as ferramentas. Mas uma vez instalados, os apps Android poderão ser usados como qualquer outro programa do Windows, podendo até fixá-los na barra de tarefas.

Para que tudo isso funcione, a Microsoft empregará a tecnologia Intel Bridge. É um pós-compilador de tempo de execução que permite que aplicativos projetados para outras plataformas de hardware sejam executados nativamente em dispositivos x86, incluindo processadores de desktop da Intel e AMD. São arquiteturas diferentes daquelas em que o Android normalmente é executado, e confesso que estou animada para ver essa emulação funcionando na prática.

É provável que usuários com aparelhos Windows no formato 2 em 1 (tablets e notebooks híbridos ou reversíveis) sejam os mais beneficiados com a novidade, pois, geralmente, a tela desses produtos é sensível ao toque.

O conceito é legal, mas pode dar errado

Na transmissão online em que exibiu o Windows 11, a Microsoft demonstrou como o TikTok funcionará no novo sistema. Também mencionou os apps Kindle e Ring como outros exemplos de ferramentas que poderão ser usadas na área de trabalho do futuro software. Contudo, vale citar que esses aplicativos já podem ser usados ​​no navegador e não exigem necessariamente uma versão móvel para funcionarem ou liberarem acesso. Além disso, tem que se levar em consideração que muitos programas podem acabar sem compatibilidade com o Windows 11.

GIF: Microsoft

Eu procurei cerca de cinco apps nos quais faço login diariamente e que achei que gostaria de acessar enquanto trabalho no Windows. Infelizmente, nenhum deles estava disponível no navegador. Tentei o app Dyson, que eu uso para controlar meu ventilador de quarto; o Lumi by Pampers, para monitorar meu filho; e o Philips Hue, para minhas lâmpadas inteligentes. Também procurei jogos, incluindo Pokémon Go e Animal Crossing: Pocket Camp. Mesmo se você não considerar nenhum dos aplicativos do Google, uma vez que eles já têm versões de navegador perfeitamente utilizáveis, você descobre que mesmo os apps independentes nos quais você confia não estão disponíveis na loja de aplicativos da Amazon.

Ainda não sabemos se haverá alguma capacidade de sideload no Windows 11. A Amazon Appstore não é tão bem abastecida em comparação com a Play Store, e a instalação de um APK pode ajudar a preencher as lacunas à medida que mais ferramentas se tornam disponíveis. Isso sem contar que essa possiblidade ajudaria a experiência no Windows, em vez de deixar o sistema limitado às soluções da Amazon.

Não é o Chrome OS

Se você é um usuário Android, vai perceber que a Amazon Appstore dificilmente substitui a experiência da Google Play Store. É por isso que é difícil imaginar uma perfeita integração entre os dispositivos Windows e Android da mesma forma que o macOS e o iOS. Se você está procurando esse tipo de ecossistema por meio de sua conta do Google, existe o Chrome OS, que originou a ideia dos aplicativos Android na área de trabalho.

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Os aplicativos Android não devem encontrar dificuldade para funcionarem em máquinas Windows, desde que não apresentem os mesmos problemas que sofrem no Chrome OS. Esperamos que a nova interface do Windows 11 em tablets se estenda a todos os aplicativos. Compare isso com o Chrome OS, baseado nos serviços em nuvem do Google, que tem suas limitações. Pelo menos no caso da Microsoft, os aplicativos Android são meramente um complemento e não um recurso tratado pela empresa com algo essencial.

A nova integração de apps Android no Windows 11 pode não ser a resposta imediata aos meus sonhos de uma integração mais consistente entre desktops e dispositivos móveis que não sejam da Apple. Mas é certamente um excelente começo da Microsoft, e faz sentido que a empresa tenha escolhido trabalhar com a Amazon, porque, ao contrário do Google, ela não é um concorrente direto.